Curitiba - As entidades participantes da ''Marcha das Mulheres do Campo e da Cidade: por Justiça Social e Ambiental, Contra a Violência'', realizada na manhã de ontem, em Curitiba, comemoraram as conquistas obtidas na sociedade nos últimos anos, mas ressaltam que ainda há muitas questões que devem ser olhadas com cuidado por parte do Estado e do governo federal.
Entre as principais preocupações está o combate à violência contra as mulheres, mais acesso à saúde e educação e igualdade no mercado de trabalho. Centenas de integrantes de movimentos sociais saíram da Praça Santos Andrade às 9 horas e percorreram ruas do Centro da Capital até chegar na Boca Maldita, na Rua XV de Novembro, onde ocorreram discursos e distribuição de panfletos.
De acordo com Regina Cruz, coordenadora estadual da Marcha e integrante da regional da Central Única dos Trabalhadores (CUT-PR), a questão salarial ainda mostra a desigualdade de gênero existente no mercado de trabalho. ''Não podemos dizer que não melhorou, mas ainda ocorrem diferenças gritantes. Em muitos casos uma mulher ganha 30% a menos que um homem'', destacou.
Outro ponto defendido na mobilização foi o combate à violência contra a mulher. De acordo com Ligia Cardieri, socióloga e integrante da Rede Feminina de Saúde (RFS), sem dados sobre as ocorrências fica difícil planejar ações de prevenção e de redução dos casos. ''Já pedimos a divulgação destes números, mas o governo estadual não nos repassou. Só podemos combater a violência se soubermos onde ela ocorre com mais frequência e qual são as ocorrências de maior incidência'', criticou.
A coordenadora estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Maria Isabel Grein, reforçou o discurso de Ligia apontando que no campo o problema da violência também acontece, além da preocupação com a saúde das agricultoras. ''Além da violência doméstica e de abusos que acabam sofrendo, muitas também trabalham na lavoura, tendo contato direto com agrotóxicos. O uso indiscriminado destas substâncias tem que ser revista'', alegou.
As secretarias estaduais da Educação, da Justiça, do Meio Ambiente e do Trabalho e Emprego, além da seção Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR) e da regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PR), receberam as pautas de reivindicações.
A mobilização, que ocorre desde 2001 no Paraná, teve a participação de integrantes de movimentos que vieram de diversas cidades do Estado, entre elas Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Cascavel e Foz do Iguaçu.

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