Edvaldo Rodrigues, 29 anos, faz parte das estatísticas do setor moveleiro no Paraná. No dia 31 de janeiro deste ano, por volta das 16 horas, ele teve quatro dedos da mão esquerda decepados por uma máquina seccionadora, numa fábrica de móveis de Arapongas (37 km a oeste de Londrina).
Naquele dia, a rotina de Edvaldo não teve nada de diferente. ''Não estava preocupado, tinha dormido bem,'' diz. Até hoje, ele não sabe exatamente o que aconteceu. Lembra apenas que, embora com bastante cuidado, não adotou o procedimento correto ao utilizar a máquina.
A seccionadora é totalmente automatizada. Na tarde do acidente, ela estava programada para um serviço, mas Edvaldo precisava cortar algumas lâminas com 18 centímetros de espessura. ''Não quis regular toda a máquina só para cortar poucas lâminas. Resolvi fazer uma coisa rápida e mesmo assim tomei todas as precauções'', conta. Elas, no entanto, não foram suficientes.
Após cortar as lâminas na espessura desejada, Edvaldo parou a serra da seccionadora há cerca de um metro de distância da peça cortada. Quando retirava-a da máquina, a serra voltou e cortou seus dedos. ''Não consigo entender porque a serra voltou. Deve ter ocorrido um problema mecânico. Conheço aquela máquina muito bem. Eu que fazia a manutenção dela, lidava com ela todos os dias.''
Oito meses se passaram e, embora tenha conseguido reimplantar os dedos, o marceneiro ainda precisa de mais duas cirurgias para recuperar, ao menos, parte dos movimentos. ''Não tem sido fácil ficar parado em casa esse tempo todo. Trabalho desde criança, não é da minha natureza ficar assim'', comenta.
Fácil também não tem sido enfrentar a expectativa para que consiga realizar as cirurgias e poder voltar ao trabalho antes de completar 12 meses do acidente, período em que o acidentado tem estabilidade garantida. Segundo Edvaldo, está difícil conseguir fazer as cirurgias pelo SUS (Sistema Único de Saúde). ''E quem quer ficar com um funcionário que não pode trabalhar direito?''
Histórias de pessoas que perderam o movimento de uma das mãos, ou mesmo vários dedos nas máquinas do parque moveleiro de Arapongas não faltam. Segundo Edvaldo, só no bairro em que mora, no Jardim Bandeirantes, tem uns 20 casos. ''Muita gente está sem emprego e sem assistência do INSS por aqui'', conta.
As causas dos acidentes, na opinião do marceneiro, são basicamente a pressa dos funcionários, que ganham comissão por produtividade, e a problemas mecânicos com as máquinas. (B.B.)

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