Marcel arma-se contra acusação de racismo
São Paulo, 22 (AE) - O técnico Marcel de Souza pretende apresentar a fita de vídeo exibida pela TV Globo, como prova, e endereçou ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva, na sexta-feira, pedido para que jogadores e autoridades presentes na partida sejam ouvidos, como testemunha, no caso em que é acusado de ter ofendido o lateral Almir, do Flamengo, com palavras preconceituosas. A informação foi confirmada hoje pelo advogado Heraldo Panhoca, que vai defender Marcel, quinta-feira, em julgamento marcado para às 18 horas, na sede da Confederação Brasileira de Basquete (CBB).
Segundo o relatório do representante da CBB, Ervino Operman, o treinador teria usado as palavras "crioulo" e "macaco" em troca de insultos com Almir, na partida do Pinheiros contra o Flamengo, dia 14, no Rio. Marcel nega que tenha usado os termos e assegura que o representante não estava próximo o suficiente para ouvir a troca de insultos. "Outras autoridades do jogo, como o árbitro e o assistente, e os próprios atletas que estavam em quadra ainda não testemunharam"
afirmou o jurista.
Até hoje, no entanto, o advogado não tinha resposta do Tribunal ao pedido encaminhado em nome de Marcel. O técnico apenas ganhou o primeiro recurso apresentado, com base na Lei Pelé, em que foi concedido efeito suspensivo da penalidade imposta pela CBB suspensão por três jogos por "ofensas morais". "Não sei se o Tribunal vai atender o pedido e a tempo de as testemunhas serem ouvidas na quinta, mas estamos sendo criteriosos ao pedir que as pessoas que estavam em volta sejam ouvidas", afirmou Panhoca que entende que torcedores não podem testemunhar.
Por enquanto, o julgamento é de uma infração disciplinar e tem mérito esportivo. Até agora, nem o advogado de Marcel e nem o vice-presidente jurídico do Flamengo, Júlio Gomes, obtiveram da CBB a cópia do relatório do representante da partida, em que constariam as palavras discriminatórias. O vice-presidente Jurídico do Flamengo disse que tem procuração de Almir para apresentar ação civil (por danos morais) e criminal (por racismo) contra Marcel e que o ala não destiu dos processos. A demora em apresentar queixa à Justiça deve-se ao tempo gasto para juntar provas e testemunhas, incluindo o relatório da CBB.





