Marcas tradicionais de queijos são reprovadas pelo SIF
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
por Mariangela Heredia 
Brasília, 11 (AE) - Mais de 50% do leite tipo B e C, e dos queijos prato e minas comercializados por diversas marcas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul apresentaram condições higiênicas inadequadas em pesquisa realizada no final do ano pelo Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) e Ministério da Agricultura. Apenas 60% dos produtos que passam pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério estavam em conformidade, e 100% dos vendidos sem fiscalização apresentaram problemas. Os resultados foram divulgados há pouco e, segundo o coordenador do Programa de Qualidade de Produtos do Inmetro, Alfredo Lobo, "são preocupantes", pois a forte presença de bactérias ou antibióticos detectadas pode causar problemas intestinais e outras doenças. Entre as marcas consideradas inaceitáveis ou impróprias para o consumo de leite, estão algumas conhecidas, como Parmalat, CCPL, Sibele, Resende, Jaguari e Cia. do Leite (tipo B), Paulista, Formiguinha, CCPL, Bomleite, Vale da Grama, Nutrileite, Leite cru, Paladar, Cia do leite e Fazenda da Glória (leite C), Zero, Itaocara e Capil Vida (Longa vida). No caso do queijo prato foram consideradas em condições higiênicas insatisfatórias ou impróprias para o consumo as marcas Bom Pastor, Da Matta, Boa Nata, Danby, Hollmann, Parmalat e Santa Rosa e, nas de queijo minas os tipos Piá, Fazenda Pouso Alto, Serenata, Camponata, Yabon, além de outros dois produtos sem marca colhidos no varejo, que foram considerados potencialmente capazes de causar enfermidades transmitidas por alimentos.
O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, fez questão de ressaltar que o consumidor deve evitar produtos sem inspeção, como os vendidos em feiras livres, que apresentaram 100% de irregularidades na pesquisa. O coordenador do Programa de Qualidade do Inmetro, Alfredo Lobo, acrescentou que é preciso ainda ficar atento à questão de conservação dos produtos, já que foi constatado que em Minas Gerais 60% dos pontos de venda estavam em condições inadequadas enquanto nos outros Estados o índice foi de 40%. Embora o Leite C seja frequentemente apontado como o de pior qualidade, o porcentual de conformidade foi de 41%, maior que o do Leite B, onde atingiu apenas 33%. O queijo prato teve um índice de conformidade de 36%
e o queijo-minas, de 50%. Apenas o leite longa vida teve um porcentual aceitável de 81%, o que é explicado pela alta temperatura a que o produto é submetido. Mesmo assim, três marcas ainda apresentaram problemas. Essa foi a primeira vez que o Ministério da Agricultura divulgou resultados de pesquisa dos alimentos coletados nos pontos de consumo e a prática será permanente, segundo o diretor Luiz Carlos de Oliveira. Os resultados da primeira parte da pesquisa demonstram, em sua avaliação, a necessidade de alterar as normas de produção e comercialização de derivados lácteos no País, e, neste sentido, o Ministério aguarda as sugestões de um grupo de representantes do setor privado e do governo que trabalham no Programa de Modernização do Leite.


