Marcas francesas alcançam 4,8% das vendas de carros e utilitários
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sábado, 12 de junho de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 13 (AE) - As marcas francesas Renault, Peugeot e Citro$n, que iniciaram operações no Brasil nos últimos cinco anos, já respondem por 4,8% das vendas de automóveis e utilitários. Essa participação representa metade da que detém atualmente a Ford, que está no mercado brasileiro há 80 anos.
De janeiro a maio elas venderam 23.963 automóveis e utilitários e, isoladamente, registraram aumento de vendas de 80% a 92%. O maior índice foi da Citro$n, que vendeu 3.007 unidades, ante as 1.565 nos primeiros cinco meses do ano passado.
A Renault, que inaugurou sua fábrica no Paraná em novembro, teve um crescimento de 82%, com as vendas passando de 7.415 unidades para 13.500. A Peugeot vendeu 7.187 veículos, desempenho 80,3% melhor do que em igual período de 1998. A fábrica conjunta da Peugeot/Citro$n será inaugurada no fim do ano 2000 ou início de 2001, no Rio de Janeiro.
Em quatro anos, quando os dois grupos estiverem operando a pleno vapor, a previsão é de que vão deter 18% do mercado nacional de veículos. A Renault, sozinha, quer abocanhar 10% das vendas. A Peugeot aposta em 5% e a Citro$n em 3%.
Queda - Enquanto as vendas das francesas dispararam, as das demais marcas despencaram. Os negócios da Ford caíram 53,6% nos primeiros cinco meses do ano, os da General Motors 25,3%, os da Fiat 19%, e os da Volkswagen, 16,1%. O mercado total de automóveis e picapes teve queda de 23,2%, com 496.028 unidades vendidas.
Entre as chamadas newcomers - que inauguraram fábricas recentemente -, só a Honda teve crescimento de 25% nas vendas e a Chrysler, de 14,4%. A Mercedes-Benz caiu 43%, a Mitsubishi 33 4%, e a Toyota, 18,3%. Todas as marcas de importados também registraram queda nos negócios.
O presidente da Peugeot do Brasil, Cees Hermanns, disse que o bom desempenho da marca é resultado de sua política de preços competitiva em relação aos concorrentes. A Peugeot vem trabalhando com tabela em reais e, na recente desvalorização da moeda brasileira não mudou os preços.
"Nós absorvemos esses custos e estamos trabalhando com margens reduzidas", disse Hermanns, ressaltando que se trata de uma estratégia mundial. A exemplo do que vem ocorrendo com as montadoras nacionais, a Peugeot está operando no vermelho.
O lançamento, em março, do modelo 206 também impulsionou as vendas da Peugeot. O modelo é o terceiro mais vendido entre os importados. O primeiro é o 306 e o segundo é o Xsara, da Citro$n. O 206 é importado da França, em versões com motor 1.6. A versão com motor 1.0 será produzida no Rio de Janeiro.
No Rio, a Peugeot já está em quinto lugar no ranking de vendas atrás, portanto, das quatro grandes: Volkswagen, Fiat, GM e Ford. No mercado global, ocupa a sétima posição, com 1,45% de participação. A Volks lidera com 30,7%, seguida pela Fiat, com 26,1% e pela GM, com 23,2%. A Ford tem 8,4% e a Renault 2,72%.
Ao contrário de vários modelos que estão encalhados nas lojas, há filas de espera para a compra do 206 que variam de dois a três meses. Em setembro, o grupo vai inaugurar uma nova fábrica na França para ampliar a produção do modelo de 2 mil para 2,7 mil unidades ao dia.
O Scénic, da Renault, chega a levar de 30 a 60 dias para ser entregue ao cliente. Desde seu lançamento, em março, foram vendidas 5 mil unidades. A produção, de 1,5 mil veículos ao mês, está sendo ampliada para atender a demanda.
Em maio, a Renault registrou seu melhor desempenho no País, com vendas de 3.625 veículos. As 757 unidades vendidas pela Citro$n também foram recorde da marca.


