São Paulo - Mesmo depois dos problemas do primeiro dia de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), no último domingo (17), a segunda parte da avaliação está mantida para este domingo (24). Segundo o presidente do Inep (Instituto de Pesquisas Anísio Teixeira), Alexandre Lopes, mesmo os alunos que foram barrados na primeira etapa devem comparecer neste fim de semana e pedir, a partir de segunda-feira (25), a reaplicação do primeiro teste.

Neste domingo, serão aplicadas as questões de Matemática e Ciências da Natureza. O primeiro dia de provas teve abstenção recorde na história do exame, quando 51,5% dos candidatos não fizeram as provas - dos 5.523.029 inscritos para a versão impressa, 2.842.332 faltaram. Em 2020, o Enem também terá uma versão digital, que será aplicada de forma experimental para 96 mil candidatos, nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro.

O número de ausentes inclui candidatos que chegaram a tempo nos locais de prova, mas não puderam resolver os testes porque houve superlotação das salas. Este tipo de problema ocorreu com candidatos de Londrina. Para quem foi impedido de entrar, o Inep, responsável pelo teste, orienta acessar a página do participante, a partir de segunda, e pedir a reaplicação. Será necessário fazer um relato do ocorrido e o Inpe vai analisar caso a caso.

O número reduzido de candidatos por sala, de forma a manter o distanciamento seguro entre eles, foi uma das medidas adotadas para esta edição do certame por conta da pandemia do novo coronavírus, assim como a disponibilização de álcool em gel em todas as salas. Mas há, também, medidas obrigatórias para os candidatos, como a utilização de máscaras de proteção durante toda a prova, tapando o nariz e a boca. O desrespeito a esta regra pode levar à eliminação.

EDIÇÃO POLÊMICA

Aplicado desde 1998, o Enem 2020 já criou polêmica antes mesmo da aplicação das provas. Devido à pandemia do novo coronavírus, houve várias tentativas de adiar a prova, seja por eventuais dificuldades na preparação dos candidatos, seja para garantir o distanciamento social. Mesmo assim, as provas foram aplicadas, à exceção de cidades em que a situação da pandemia estava fora do controle.

Na quarta-feira (20), a Justiça Federal de São Paulo negou pedido da Defensoria Pública da União e manteve a realização do segundo dia de provas do Enem.

A Defensoria havia ingressado, na segunda-feira (18), com novo pedido de suspensão da prova argumentando que o Inep não teria garantido os protocolos de segurança sanitárias na aplicação da primeira etapa do exame, no último domingo (17).

O órgão havia citado os vários relatos de estudantes barrados por lotação de salas, situação mostrada por diversos veículos de imprensa.

Decisão da juíza Marisa Claudia Gonçalves Cucio, da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo, afirma que "não há provas cabais de que os protocolos sanitários não foram cumpridos" e que a "juntada de duas notícias publicadas na imprensa não pode ser suficiente para o acolhimento do pedido para suspensão da prova à qual se submeterão quase 3 milhões de candidatos".

Ainda segundo a decisão, o fato de inscritos terem sido barrados "demonstra que não houve infringência à lotação permitida para atender os protocolos sanitários". Apesar disso, a Justiça obriga o Inep a garantir a reaplicação da prova aos candidatos impedidos de fazer o exame.

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