Marcado para fevereiro o julgamento do enfermeiro acusado por mortes em hospital
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 26 (AE) - O julgamento do auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, denunciado por homicídio triplamente qualificado pelo Ministério Público, foi marcado para 17 de fevereiro, no III Tribunal do Júri, no Rio. Ele é suspeito de ter matado outros 122 pacientes no Hospital Salgado Filho, onde trabalhava. Apesar de ter dito em entrevistas à imprensa que cometeu quatro assassinatos, Guimarães afirma em juízo que apanhou da polícia para confessar. O advogado Arisnaldo Paiva vai insistir na tese de que Guimarães é inocente.
No dia 7 de maio, Guimarães disse ter matado cinco pessoas, depois que uma servente desconfiou do número elevado de óbitos nos plantões do auxiliar de enfermagem, que atendia doentes em estado grave na Unidade de Pacientes Traumáticos (UPT) do Salgado Filho, na zona norte do Rio. As investigações levantaram suspeitas sobre 126 casos de morte e trouxeram à tona o escândalo da máfia das agências funerárias - consistia na indicação de funerárias para as famílias das vítimas em troca de propina.
De acordo com as investigações lideradas pela delegada Marta Cavalieri, então na Delegacia de Homicídios, Guimarães escolhia pacientes terminais, desligava os aparelhos de respiração ou injetava cloreto de potássio em suas veias. O efeito do potássio é instantâneo e de difícil detecção. A desconfiança da direção do hospital, reforçada pelo depoimento da servente, levaram à prisão de Guimarães. Após justificar inicialmente os crimes como "atos de piedade", ele confessou que recebia cerca de R$ 100 por aviso de morte encaminhado a funerárias.


