Londrina - A história da pequena Isabelly Vitória Pardim de Deus Mello, que possui uma imunodeficiência grave, ganhou mais um trágico capítulo. O marca-passo diafragmático que seria implantado na bebê de 15 meses e que deveria ter chegado na última segunda-feira foi parar na cidade de Buenos Aires, na Argentina.
Por um erro da transportadora, o equipamento – de custo de R$ 523 mil e comprado pelo Governo do Estado após decisão judicial – vai demorar pelo menos mais dez dias para chegar ao destino correto, no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba. Enquanto isso, a criança segue internada na UTI, onde está desde setembro de 2014, depois de passar por um transplante de medula óssea.
De acordo com o pai da menina, Wagner Mello, a liminar continua em vigor e está sendo descumprida pelo governo. "Cabe à juíza, agora, decidir se aceita explicações do governo e prorroga o prazo ou se fixa multa diária pelo descumprimento da liminar. Felizmente, apesar de o estado de saúde ser grave, o quadro é estável, o que, no entanto, não diminui nossa angústia", afirmou.
No dia 14 de janeiro, a juíza Maria Lúcia de Paula Espíndola, da 2ª Vara da Infância e da Juventude e Adoção de Curitiba, decidiu que o Estado do Paraná deveria comprovar a entrega do marca-passo diafragmático no prazo de 48 horas, sob pena de fixação de multa.
Na última terça-feira, a procuradora do Estado Claudia Picolo manifestou-se à 2ª Vara, por meio de Juntada de Petição de Cumprimento de Intimação, notificando a situação. No documento, a procuradora diz que o Estado demonstrou esforços para adquirir o marca-passo, e que o fato é alheio à vontade do ente público, de modo que deve ser afastada a fixação de pena de multa. "Pelo exposto, (o Estado) requer que seja aguardada a entrega do marca-passo pela empresa fornecedora, o que, pela informação prestada ao Estado do Paraná, deverá ser na próxima semana ou, se Vossa Excelência entender razoável, a intimação da (empresa) Micromedical, na pessoa de seu representante", diz um trecho. A Justiça, contudo, ainda não se pronunciou sobre o caso.
Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), as medidas judiciais exigidas foram cumpridas, no caso, a compra do equipamento, cujo empenho foi realizado no dia 11 de dezembro. Dessa forma, o erro na entrega não seria responsabilidade do órgão, e sim da transportadora.
O representante da Micromedical, Ubirajara Condé, empresa que vendeu o aparelho, não se manifestou sobre o erro até o fechamento da edição. Em email trocado com a Sesa, o qual está anexado à juntada, Condé informou somente que "por razões que até o momento não identificamos, o agente de transporte encaminhou o marca-passo adquirido pela Sesa para Buenos Aires. Pedimos sua compreensão para o fato de o acidente ter acontecido completamente fora de nosso controle".

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