São Paulo - Pelo menos dois grandes centros médicos do País estão se preparando para adotar uma novidade na cirurgia de obesidade: o marca-passo gástrico. O Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e o Instituto Garrido, centro paulistano especializado há 14 anos em técnicas bariátricas, abriram protocolo de pesquisa clínica para usá-lo.
Trata-se do implante de um marca-passo na parede externa do estômago, na altura da cintura. O aparelho, que tem o tamanho de uma caixa de fósforos, manda choques ininterruptos por um ou dois eletrodos, que aumentam a sensação de saciedade do paciente. Essa sensação ocorre porque os impulsos elétricos são capazes de alterar os movimentos do estômago, fazendo que o cérebro registre que ele não está vazio. O paciente, então, se sente satisfeito com menos comida.
A cirurgia é feita por meio de laparoscopia, dura cerca de uma hora e é reversível. ''A indicação médica é para pacientes que estão com peso de 15% a 20% acima do normal e não têm resultados com tratamentos clínicos'', explica Nilton Kawahara, coordenador do Centro Integrado de Prevenção e Tratamento de Obesidade do Sírio-Libanês. Ou melhor, com Índice de Massa Corpórea (IMC) de 30 a 35 - para chegar ao índice, deve-se dividir o peso, em quilos, pela altura, em metros, ao quadrado. O obeso mórbido é aquele com IMC acima de 40.
Com médicos treinados e o aval de comitês de ética internos, a espera agora é pela aprovação de segurança do Food and Drug Administration (FDA), órgão americano que regula medicamentos e alimentos. ''A autorização virá no próximo mês'', conta Scott Shikora, do Centro Médico Tufts de Boston, médico que introduziu o marca-passo gástrico nos Estados Unidos, em 2000. ''Dos 700 pacientes que já receberam o implante gástrico no planeta metade está nos Estados Unidos.''
O marca-passo gástrico foi usado experimentalmente pela primeira vez pelo cirurgião italiano Valerio Cigaina, em 1995, em Veneza. A idéia, de acordo com Kawahara, é que até o fim do ano o aparelho já seja usado comercialmente no Brasil pelo Sírio. ''Com a aprovação do FDA, precisamos apenas do aval do Ministério da Saúde para registrar o marca-passo. O protocolo de pesquisa serve como mais um fator de segurança.''

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