Londrina - A palavra maratona surgiu do grego márathos, nome pelo qual os gregos chamam a erva-doce, muito comum na planície de Maratona, local que o ateniense Fidípedes teve de percorrer para avisar os espartanos sobre o desembarque das tropas do persa Dario 1º, em 490 a.C. A palavra já está ligada à estudante Ana Luiza de Oliveira Mendes, de 10 anos, de duas formas: ela é moradora da Avenida Maratona, no Jardim Olímpico (zona oeste), e também foi uma das participantes da 7ª Maratoninha da Caixa em Londrina, realizada ontem na Rua da Canoagem (próxima ao Lago Igapó).
O trajeto de 300 metros da competição nem de longe lembra os 42 quilômetros que Fidípides percorreu, mas pode ser um incentivo decisivo para estimular a prática esportiva e, quem sabe, para a revelação de campeões como o velocista André Domingos, medalha de prata no revezamento 4x100 metros rasos nas Olimpíadas de Sidney em 2000.
O atleta acompanhou a prova das crianças à beira do Lago Igapó e quando questionado se ele considerava a medalha olímpica a mais importante de sua carreira, ele afirmou que não. "A medalha mais importante da minha vida foi a primeira que eu ganhei, em uma competição no tempo da escola, quando tinha 13 anos. Em um evento como esse de Londrina, planta-se uma semente para a prática esportiva", declarou.
Antes da prova foi possível ver o cuidado que as mais de mil crianças de 28 escolas presentes ao evento tomaram com o corpo. Algumas delas aqueceram seus músculos e fizeram alongamentos para evitar contusões. Tamanho cuidado aconteceu porque professores de educação física ajudaram a orientar as crianças. Um deles, Alex Bernardes, pediu a seus pupilos para que se hidratassem adequadamente e que comessem alimentos leves antes da prova. "Os hábitos saudáveis são absorvidos de maneira mais fácil na infância", justificou.
A aluna Mariana Inocêncio da Silva, de 10 anos, sabe dos benefícios que a prática esportiva proporciona e foi uma felizarda, já que tornou-se a vencedora de uma das 45 baterias realizadas. Como prêmio, além da medalha no peito, ela ganhou uma bicicleta. Foi a primeira vez que ela ganhou um prêmio e isso a fez decidir pelo ingresso no atletismo. "Sempre apostei corridas na escola e, quando meu professor falou que eu poderia ter chances na corrida, passei a treinar". Mariana competiu com os pés descalços, não por não possuir condições de comprar os calçados, mas por achar que eles atrapalham na hora da corrida. Por um motivo semelhante o etíope Abebe Bikila correu a maratona da Olimpíada de Roma em 1960 com os pés descalços e tornou-se o primeiro negro a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

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