Maranhão investiga morte de 14 garotos
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sexta-feira, 14 de agosto de 1998
Agência Folha 
A Secretaria de Segurança do Maranhão determinou a reabertura dos inquéritos sobre as mortes de 14 garotos que vêm ocorrendo na Grande São Luís desde 1991.
Os 14 inquéritos foram divididos entre quatro delegados, mas, em muitos dos casos, eles estão reconstituindo processos que não foram concluídos. Um dos inquéritos não foi encontrado e está sendo refeito com base em depoimentos de autoridades e notícias de jornais. Em dois casos, dois suspeitos foram investigados, mas não houve provas suficientes para prendê-los.
José Domingues foi condenado a 19 anos de prisão pela morte de Cleiton Lima Conceição, 12 anos, mas já está solto. Outro acusado, Bernardo da Silva Dias, foi levado a Júri Popular pela morte de Bernardo Rodrigues Costa, 14 anos, sendo absolvido por falta de provas. O Ministério Público recorreu da decisão e ele aguarda novo julgamento em liberdade.
Levados da porta de suas casas, os garotos são assassinados de maneira violenta: tem os órgãos genitais extirpados - alguns a dentadas -, sofrem violência sexual e depois têm o corpo jogado no mato. Todas as vítimas são garotos com idade variando de 9 a 15 anos. A primeira vítima foi Ranier Silva Cruz, 10 anos, encontrado morto em um matagal no dia 22 de setembro de 1991.
Apesar das prisões de acusados os crimes continuaram. A última vítima foi Júlio César Pereira Melo, 11 anos. Ele desapareceu no dia 17 de junho passado quando ia buscar comida na barraca de seu avô, em uma feira próxima à sua casa. O seu corpo foi encontrado um mês depois por familiares em um matagal a poucos quilômetros de sua residência. No mesmo bairro de Melo (Vila J. Lima), outro garoto, Nonato Alves Silva, 10 anos, está desaparecido desde o dia 28 de junho. Somente ontem, porém, a polícia divulgou o retrato falado do suposto assassino dessas duas últimas vítimas. Ele é negro, tem aproximadamente 1,68 m, cerca de 26 anos e a orelha esquerda cortada.
A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados criou, no ano passado, uma subcomissão especial para acompanhar o trabalho da polícia maranhense. A comissão foi criada, mas não foi constituída formalmente e nunca se reuniu, de acordo com o deputado Sebastião Madeira (PSDB) um dos integrantes da comissão. Está todo mundo em campanha, disse. Uma Organização Não-Governamental (ONG) está denunciando o caso no exterior.


