Maradona não vai à festa de Careca
PUBLICAÇÃO
domingo, 21 de fevereiro de 1999
Por Assimina Vlahou 
Roma, 22 (AE) - Cerca de 30 mil pessoas devem assistir amanhã, no estádio São Paulo, de Nápoles, ao jogo de despedida do centroavante Careca. Em campo duas formações: uma com os ex-jogadores do Nápoles de 87 a 90, período em que o clube ganhou as duas copas do campeonato italiano de futebol, e a outra formada por brasileiros. Toninho Cerezo, Edmar, Alemão, Branco, João Paulo, Júnior, Paulo Sérgio, Éder, Julio César, André Cruz, Taffarel, Amoroso, Tuta, Aldair e Cafu já confirmaram a presença. Apenas Ronaldinho, previsto ao menos como espectador, não poderá comparecer.
Quem não vem mesmo é Maradona, ídolo máximo dos napolitanos e esperado até o último momento. Mas o "pibe de oro" mandou sua explicação. "Se eu vier, a festa de Careca vai acabar virando festa do Maradona e isto, por respeito a Antonio, não quero que aconteça", argumentou o jogador argentino que recentemente esteve na Itália pela primeira vez desde o escandalo com drogas que o envolveu. Maradona esteve em Genova para ser ouvido pelo juiz Guariniello, que está investigando denuncias de doping no campeonato italiano.
Parte da renda do jogo de despedida de Careca, que vai ser transmitido pela televisão para a Itália, será doada a uma associaçao de pais de crianças doentes de tumor de Nápoles.
Os napolitanos, que não esquecem o período de ouro do clube com Careca e Maradona, vão poder assistir ao jogo um pouco mais alegres depois da vitória do clube no domingo. Apesar de não facilitar muito a passagem para a primeira divisão, o resultado serviu para levantar o moral da torcida.
O jornal mais vendido na cidade, "Il Mattino", aproveitou a ocasião para recordar os momentos melhores do Nápoles e prestar uma homenagem a Careca. Com o número de hoje distribuiu um vídeo cassete com as melhores jogadas do atacante e uma edição especial de 24 páginas inteiramente dedicadas a sua carreira - o início no Guarani, a passagem do São Paulo para o Nápoles por 2 milhões de dólares, o sucesso na Itália e a participação na seleção.
No meio da festa destoa o comportamento do clube onde Careca jogou entre 1987 e 1993. O atacante brasileiro queixou-se da falta de colaboração do Nápoles, cuja direção não autorizou a participação do jogador Taglialatela. O clube também não deu permissão para usar o símbolo do Nápoles nas camisetas de seus ex-jogadores que estarão em campo amanhã à noite. "Esperava mais colaboração da parte da sociedade", comentou Careca.
A participação do clube no evento vai se limitar a um prêmio que o presidente Ferlaino vai entregar como agradecimento ao jogador brasileiro no retiro do time amanhã pela manhã e uma "medalha recordação" aos outros ex-jogadores do Nápoles que estarão em campo amanhã para festejar Careca.


