Banhado por apenas um oceano, o Brasil sempre olhou para o leste quando o assunto era o turismo de praia. Porém, a construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu represou, em 1982, as águas do Rio Paraná e de parte de seus pequenos afluentes, formando o Lago de Itaipu, um gigante de 160 quilômetros de extensão e 50 de largura (no seu ponto máximo).
As águas limpas e calmas da represa permaneceram pouco desfrutadas pelos banhistas até o início desta década. Desde então, pelo menos sete municípios estão apostando, com apoio do governo do Estado, no Projeto Costa Oeste, iniciativa de aproveitar o potencial turístico do lago.
A partir de uma linha reta e imaginária, o mar do Atlântico está 600 quilômetros distante da vida das comunidades de Foz do Iguaçu, Santa Terezinha de Itaipu, São Miguel do Iguaçu, Itaipulândia, Missal, Santa Helena e Marechal Cândido Rondon.
A cada verão, os balneários da Costa Oeste recebem milhares de visitantes de várias regiões do Estado, do Brasil e até do exterior. A Paraná Turismo estima que o número de frequentadores na temporada 1998/99 chegue a 500 mil.
A novidade para janeiro é que maiôs, toalhas, bronzeadores e guardas-sol estarão sendo usados por mais pessoas que falam espanhol. Argentinos e paraguaios das regiões vizinhas estão aproveitando a crise cambial brasileira para se divertir em um local diferente com pouco dinheiro (leia reportagem da página 13).
Com a infra-estrutura incrementada a cada temporada, estão se tornando comuns as excursões de ônibus de turismo, que trazem habitantes de dezenas de cidades das regiões próximas ao reservatório, para fugir do calor intenso com mergulhos na água doce ou simplesmente ter um domingo diferente e familiar. Em apenas um final de semana de sol (22, 23 e 24 de janeiro), os sete terminais turísticos receberam, segundo dados fornecidos pelas respectivas secretarias municipais de Turismo, cerca de 120 ônibus de excursão.
‘‘Dá para pegar praia, gastar pouco, ter conforto e sair da rotina’’, resume o motorista Marcos Machado, 30 anos, que trouxe em um ônibus de excursão 25 pessoas de Mamborê (Centro-Oeste do Estado). ‘‘Trabalho e me divirto ao mesmo tempo’’, diz Machado, que dirigiu 250 quilômetros até a praia de Santa Helena.
Diferente das praias mais movimentadas do litoral, o passeio da Costa Oeste também inclui locais adequados para se curtir um piquenique com sombra farta (quase todos os terminais possuem churrasqueiras, chalés e área de camping) e um banho de água limpa. Segundo testes feitos pelo Instituto Ambiental do Paraná, todas as amostras de água foram consideradas excelentes.
‘‘É um ótimo lugar para se trazer a família. Aqui tem tudo que quero: tranquilidade, comodidade e segurança’’, ressalta Paulo Fagundes, auxiliar de enfermagem em Toledo (Oeste do Estado), que trouxe, em uma viagem de 80 quilômetros, a mulher e a filha de quatro anos para aproveitar o domingo em Santa Helena.
Além do lazer, a temporada de verão nas praias da Costa Oeste também gera renda e garante a prosperidade na vida de muita gente. ‘‘Em um dia bom, chego a vender mil sorvetes. Tem até fila’’, comemora Selmar Moreira de Andrade, 40 anos, um dos cinco comerciantes de lanchonetes e sorveterias do Terminal Turístico de Santa Helena.Ney de SouzaTerminais como o de Santa Terezinha de Itaipu, têm infra-estrutura que garante bons momentos para quem está longe do oceanoLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha

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