Belo Horizonte - Maquinistas do metrô de Belo Horizonte se recusaram a operar ontem no trecho Vilarinho-São Gabriel, que foi palco de um acidente no qual 77 pessoas se feriram na quinta-feira. Eles alegaram falta de segurança no trajeto.
O acidente, uma colisão frontal entre dois trens, ocorreu às 8h40.
De acordo com o presidente do sindicato, José Alves, a entidade está disposta a manter a paralisação até que seja instalada a sinalização eletrônica, um conjunto de mecanismos que poderia evitar colisão entre dois trens.
A CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) afirmou que os equipamentos de segurança só deverão estar no trajeto em outubro ou novembro. Segundo a assessoria de imprensa da companhia, o sindicato não está pensando nos usuários.
Por conta da paralisação, quatro estações do metrô, incluindo a 1º de Maio, onde houve o choque frontal dos trens, não funcionaram ontem. Cerca de 10 mil pessoas dependem diariamente do serviço naquele trecho.
Durante a manhã, representantes da CBTU e dos metroviários estiveram reunidos no Ministério Público do Trabalho. Nenhum dos lados cedeu, e os trens continuaram parados.
De acordo com a assessoria de imprensa, a empresa poderia voltar a funcionar com apenas um metrô no trecho. Isso aumentaria os intervalos nas estações, mas tornaria impossível que outro choque acontecesse.
Alves disse que não aceitou a proposta. ''Eles podem conseguir que volte a operar, pressionando os funcionários. Mas e se ocorrer outro acidente? Vão culpar o maquinista de novo?''
O Ministério Público poderá determinar a interdição do trajeto, caso os trens voltem a circular. Segundo o procurador Geraldo Emediato de Souza, ''qualquer outra medida que não seja a completa sinalização das vias será paliativa e insuficiente para evitar acidentes''.
Vítimas - Ontem à tarde, apenas o maquinista Jackson Pereira Lopes estava internado. Ele chegou a receber alta, mas teve que retornar ao hospital João 23 para se submeter a uma cirurgia no maxilar, fraturado no acidente.

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