Paulo Pegoraro
De Cascavel
Lavradores sem-terra que ocupam o Imóvel Rio Iguaçu, em Quedas do Iguaçu, no Sudoeste do Estado, tentaram impedir ontem a operação de maquinário agrícola da empresa proprietária, a Araupel (ex-Giacomet-Marodin), na preparação da terra para plantio. A Polícia Militar (PM) esteve no local, e os lavradores acabaram sendo convencidos a liberar cinco tratores e três funcionários da empresa.
O Imóvel Rio Iguaçu, de 5 mil hectares, dos quais quase a metade de reflorestamento, está ocupado por mil famílias (mais de três mil pessoas) desde o início de junho, em ação coordenada pelo MST. A ocupação ocorreu logo após a série de despejos feita pela PM no Noroeste do Estado, de onde muitas famílias saíram para ocupar a fazenda da Araupel.
Como parte considerável da fazenda não está apta para lavouras, os sem-terra tentam evitar que a empresa ocupe espaços, o que significaria área ainda menor para eles próprios cultivarem. O tenente Luiz Fernando de Barros, que esteve no local com uma patrulha, por volta das 11 horas, disse logo a seguir os sem-terra aceitaram liberar máquinas e funcionários, mas eles não voltaram a trabalhar por precaução.
Nas últimas semanas não tinha havido qualquer incidente na área. Logo após a entrada das famílias, porém, o comando local da PM relatou ter informações de que os sem-terra haviam formado uma ‘‘patrulha armada’’, com 21 pessoas, que circularia em um caminhão. A Araupel, temendo que eles investissem contra sua sede - a 4 quilômetros do acampamento -, mandou funcionários demolirem duas pontes sobre riachos próximos, para impedir o acesso à sede.
A empresa conseguiu ordem de reintegração de posse, e tem exigido seu cumprimento. Coordenadores do MST na região, como Elemar Cezimbra, afirmam que não haverá desocupação pacífica. A PM pode ter pela frente uma operação de alto risco, quando tentar o despejo porque, além do grande número de sem-terra, eles têm forte organização, pois contam com apoio de assentados da região (onde há vários assentamentos).

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