São Paulo, 09 (AE) - O Mappin está movendo uma ação de perdas e danos contra o Bradesco, responsabilizando o banco por ter contribuído com a falência da empresa ao não conceder financiamentos prometidos e forçar o recebimento de créditos usando a sua condição de acionista. A ação está sendo movida na 29ª Vara Cível de São Paulo pela Barnet Indústria e Comércio S.A., sucessora da United Indústria e Comércio S.A., a holding das empresas do empresário Ricardo Mansur, principal acionista da Casa Anglo, controladora do Mappin, com falência decretada em 29 de julho. O Bradesco tem 11% das ações com direito a voto da empresa.
A Barnet alega que o banco cortou o crédito para financiar operações com fornecedores e a empresa teve que recorrer ao mercado financeiro. A ação não estabelece um valor para a indenização, mas o valor da causa foi definido pela Barnet em R$ 500 mil, o que seria um indicativo do valor pretendido.
O advogado do Bradesco, Sérgio Bermudes, disse que, além de recorrer, vai mover outra ação contra a Barnet como litigante de má-fé. "Essa ação é temerária e aventurosa", diz Bermudes. "Ela não tem consistência jurídica, mas é proposta com a única finalidade de lançar uma cortina de fumaça sobre o fracasso de Ricardo Mansur e sua verdadeira causa", afirma. "O fracasso da empresa foi ditado pela incompetência", acusa.
O advogado do Bradesco diz que o Mappin deve mais de R$ 100 milhões a o banco, mas o advogado da Barnet, Luis Roberto de Arruda Sampaio, diz que o Bradesco tem apenas debêntures da empresa e que usou sua posição de acionista para forçar o recebimento de empréstimos, de R$ 120 milhões no início do ano. Segundo Sampaio, o dinheiro dos debêntures, emitodos no fim do ano passado, deveria ter sido usado para capitalizar a empresa.

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