Mappin-Mesbla deve ter lojas arrendadas
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quarta-feira, 16 de junho de 1999
Por Edilson Coelho 
São Paulo, 17 (AE) - O destino das redes Mappin-Mesbla já está traçado: elas serão arrendadas, numa operação que deve ser concluída até o fim da próxima semana. "Há várias interessadas", disse hoje o administrador do grupo varejista, José Paulo Amaral, que não quis revelar os nomes das empresas envolvidas. "O arrendamente é o melhor caminho", contou amaral após sair da reunião, no Palácio dos Bandeirantes, com o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), e empresários que fornecem produtos para as redes Mappin-Mesbla.
No mercado, as empresas mais cotadas para o arrendamento do grupo varejista são a norteamericana JC Penney - dona da rede de lojas Renner - e a francesa Fnac - que entrou no Brasil recentemente adquirindo o Shopping ática, mas que opera na França rede de lojas-de-departamento.
Na tentativa de salvar as cadeias de lojas, José Paulo Amaral e o deputado Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) trabalham em duas frentes. Amaral, na reunião no Palácio dos Bandeirantes, procurou convencer os empresários mostrando-lhes a importância de ter mercadorias para continuar com as portas abertas. No Rio, Medeiros esteve com os diretores do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para saber se o banco ainda mantém a disposição de financiar os futuros arrendatários. "As conversa foi muito boa e o banco deverá financimento o grupo arrendatário", contou Medeiros, após a reunião.
Embora não soubesse quantificar a participação dos empresários presentes na reunião com Covas nas vendas do Mappin-Mesbla, Amaral disse que o fornecimento de produtos é uma tentativa não só de manter o grupo em pé, mas também de poder levantar números da organização. Entre os participantes estiveram Brastemp, Gradiente, SempToshiba, Panex, Valisére, no total de 12 companhias. "Precisamos ter números mais confiáveis
pois hoje o que há é extra-oficial sem exatidão", disse.
As dívidas do grupo hoje chega a R$ 1,120 bilhão: R$ 250 milhões com fornecedores, R$ 230 milhões em debêntures, R$ 80 milhões para bancos e R$ 400 milhões e impostos federal e estaduais.
Segundo o empresário Nildo Masini, representante da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a entidade está preocupada não só com a questão social - desemprego de 9 mil funcionários -, mas principalmente com a quantidade de pequenas e médias indústrias que poderão ter problemas com o fechamento das duas redes. "Os industriais ficarão sem receber os débitos e ainda por cima deixam de ter duas importantes cadeias de distribuição de produtos", disse.
Segundo Masini, dos 3 mil fornecedores do Mappin-Mesbla, pelo menos 1,9 mil estão instaladas no estado de são Paulo.


