Mappin e Mesbla admitem vender direito de exploração de pontos
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Márcia de Chiara 
São Paulo, 08 (AE) - O grupo Mappin-Mesbla está disposto a vender isoladamente o direito de exploração de qualquer um de seus 47 pontos comerciais. O objetivo é reduzir o tamanho das redes e salvar as duas companhias, que devem no mercado R$ 1,120 bilhão. Essa nova possibilidade foi admitida hoje pelo reestruturador do grupo, José Paulo Amaral. Ele reviu a disposição inicial de só vender as duas companhias em bloco, depois que o grupo francês Pinault-Printemps-Redoute (PPR) manifestou interesse de comprar algumas lojas. "Ligamos para os franceses três vezes e eles não deram retorno", contou Amaral.
Nos seus cálculos, o direito de exploração dos 13 pontos-de-venda do Mappin e das 34 lojas da Mesbla, excluindo-se as marcas das duas redes, não sairia por menos de R$ 500 milhões. O ponto mais nobre do Mappin é o localizado na Praça Ramos de Azevedo, no centro São Paulo. A loja mais valiosa da Mesbla fica na rua do Passeio, na Cinelândia, no Rio de Janeiro.
Com a venda dos pontos, o contrato de locação seria transferido para o novo inquilino e, com o dinheiro purado na venda, o grupo Mappin-Mesbla quitaria os aluguéis atrasados há três meses.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Pio Borges, disse que o banco avalia positivamente a alternativa da venda de lojas e que já foi consultado pelo grupo francês PPR sobre a possibilidade de financiar a compra. O grupo norte-americano J.C.Penney, que recentemente comprou a Lojas Renner, também estaria interessado no negócio.
Segundo Pio Borges, outra alternativa para evitar a quebra das redes que o BNDES estaria disposto a incentivar seria o arrendamento, nos moldes do contrato que o Pão de Açúcar fechou com a rede Paes Mendonça.
Empréstimo - Apesar de admitir a possibilidade de vender lojas isoladamente, o reestruturador do grupo Mappin-Mesbla disse que não abandonou a alternativa de obter um "empréstimo-ponte" de R$ 102 milhões das seis empresas (GE Capital, Funcef, Bradesco, BNDES, Centrus e Previ-Banco do Brasil-DTVM). Juntas essas companhias têm R$ 481 milhões em títulos do grupo e cada uma injetaria R$ 17 milhões de dinheiro novo. Os recursos seriam usados para compra de mercadorias e dariam uma sobrevida às redes até que fosse encontrado um comprador. "Admitimos as duas hipóteses", disse Amaral, reforçando a expectativa de que o empréstimo, negado pelo BNDES e outras três empresas, seja liberado.
O BNDES reafirma a posição que as garantias oferecidas (marcas e pontos-venda) são insuficientes. Hoje o reestruturador do Mappin-Mesbla, José Paulo Amaral, divulgou informações de dois estudos na tentativa de mostrar que as duas marcas podem garantir o novo empréstimo.
O primeiro estudo, feito em 1996 pela Consult/MS Cardim, avaliava em US$ 280 milhões a marca Mappin naquela época. O segundo, da consultoria Appraisal, quantificava, no começo do ano passado, em R$ 162 milhões a marca Mesbla. "Não dá para dizer hoje quanto vale a marca Mappin", afirmou o analista da Consult/MS Cardim, Mário Sérgio Cardim Netto. Já, nas contas de Amaral, a marca Mappin, está avaliada em, no mínimo R$ 100 milhões.
Enquanto não se encontra um saída para o grupo, os 9 mil funcionários das duas companhias continuam acampados no centro de São Paulo e marcaram para amanhã, às 14 horas, uma manifestação. O governador de São Paulo, Mário Covas, conversou hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a situação dos funcionários do Mappin e da Mesbla e pediu ao presidente que indicasse um representante com quem ele poderia tratar do empréstimo solicitado pela rede de lojas. Segundo o governador, FHC comprometeu-se a retornar a ligação.


