Uma das pesquisas desenvolvidas no Brasil utilizando a biologia molecular promete mapear a possibilidade de ocorrer ou não metástase em casos de câncer de próstata. A pesquisa é coordenada pelo biólogo Eduardo Reis, professor do departamento de bioquímica do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). Ele participou do 24º Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, na última semana, no Rio de Janeiro.
Iniciado há quatro anos, o estudo já identificou 56 genes que determinam o comportamento de tumores da próstata, tanto de casos mais agressivos, quanto de mais brandos. A análise foi feita a partir de bancos de tecidos frescos de tumores, retirados de 27 pacientes por meio de biópsia ou cirurgia. O material foi obtido através de uma parceria com o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.
A tecnologia utilizada na pesquisa foram chips de DNA, lâminas de vidro onde se consegue colocar todo o genoma humano. Com esse estudo, e comparando os genes de pacientes que vieram a ter metástase, o biólogo buscou a assinatura gênica da evolução do câncer de próstata.
Isso significa montar um mapa genético da probabilidade de ocorrer metástase neste tipo de câncer, o que não é possível determinar com exames patológicos. ''O exame patológico tem baixa resolução, não distingue tumores que evoluem bem dos que têm metástase. Ao extrair o DNA do tumor, faz-se uma análise comparando que genes são mais ativos nos pacientes que evoluem bem e cria-se marcadores genéticos de probabilidade'', explica.
Segundo Reis, a importância desse estudo é oferecer aos médicos uma ferramenta para auxiliar na decisão do melhor tratamento para evitar uma possível metástase. ''Essa pesquisa poderá se transformar em um kit de diagnóstico molecular, que vai prever o grau de agressividade da doença. O câncer é uma doença heterogênea e complexa, por isso sempre há a possibilidade de existirem subgrupos com respostas diferentes a medicamentos e com evoluções diferentes'', explica.
A pesquisa agora segue com material recolhido de outros 200 pacientes, para confirmação do que já foi mapeado. Outro uso do estudo poderá ser a antecipação da resposta do paciente a medicamentos. E a própria indústria farmacêutica poderá utilizar os dados como plataforma para o desenvolvimento de novas drogas.
Segundo o biólogo, outras pesquisas parecidas são desenvolvidas em outros países, mas não com o mesmo objeto de estudo. ''Na Holanda, por exemplo, já foi descoberto um conjunto de 70 genes, que conseguem prever o potencial de metástase de pacientes com câncer de mama''. (C.P)

mockup