Manuelzão, vaqueiro- personagem de Guimarães Rosa, morre aos 92
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Agência Estado 
BELO HORIZONTE - O vaqueiro Manuel Nardy, o Manuelzão, um dos principais personagens da obra do escritor mineiro Guimarães Rosa, morreu ontem, aos 92 anos, em Belo Horizonte, vítima de embolia cerebral. Manuelzão, que morava em Três Marias, Noroeste de Minas Gerais, estava internado havia uma semana no hospital Felício Rocho, na capital, devido a um acidente vascular isquêmico (AVI), provocado por arritmia cardíaca. Por volta das 7 horas de ontem, teve nova crise e não resistiu.
Segundo a médica Maria Consolação Moreira, o tratamento ao qual Manuelzão vinha se submetendo era limitado devido às úlceras gástricas que o paciente apresentava - a administração de medicamentos anticoagulantes, indicada para o caso, não pôde ser feita nas doses recomendadas.
O velório foi realizado à tarde no salão nobre da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Estiveram presentes o governador mineiro Eduardo Azeredo (PSDB) e o secretário estadual de Cultura, Amilcar Martins. O corpo foi enterrado às 10 horas de ontem em André Quicé, terra natal do vaqueiro, a 330 quilômetros da capital.
Manuelzão ganhou fama ao realizar com o amigo Guimarães Rosa e outros vaqueiros uma grande viagem a cavalo pelo sertão mineiro, em 1952. Com o material colhido na aventura, Rosa, que já havia lançado o livro Sagarana (1937), escreveu sua principal obra, Grande Sertão: Veredas (1956).
Manuelzão foi homenageado pelo escritor no mesmo ano com a publicação da novela Uma história de amor - pertencente ao livro Corpo de Baile, que hoje leva o nome de Manuelzão e Miguilim. Após a morte de Rosa, em 1967, o vaqueiro, casado e pai de sete filhos, passou a ser fonte constante de consulta para intelectuais e estudiosos da obra do escritor que criou o regionalismo universal na literatura brasileira e é considerado um dos grandes expoentes da literatura mundial.


