Manual do PPB do RS instrui candidatos a esconder apoiador
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quarta-feira, 08 de setembro de 1999
Por Ayrton Centeno 
Porto Alegre, 09 (AE) - Um manual lançado pelo PPB do Rio Grande do Sul instrui os candidatos do partido nas eleições de 2000 a ocultar o nome dos apoiadores. "Nunca divulgue o nome de seus apoiadores, por razão nenhuma", diz uma das instruções. A recomendação só não será seguida se o apoiador exigir que a identidade seja revelada. No mesmo item, outra observação: "Não divulgue (o nome), mas trate de deixar claro que você não esquecerá o apoio."
As advertências estão sob o título "Dicas para melhorar o perfil de arrecadação", integrante do item "Como arrecadar fundos de campanha" do manual, que possui nove páginas. Adiante
o partido ministra mais um ensinamento. " "Aconselhe-se sempre com seus apoiadores financeiros de maior vulto", incentiva. Para o secretário-executivo do PPB do Rio Grande do Sul, Carlos Fogaça, não existe nenhum motivo para que o nome dos apoiadores - que ele prefere chamar de "apoiadores políticos" - seja exposto. "Não há por que informar", enfatizou hoje, ao ser perguntado o que um candidato deveria responder se um jornalista lhe perguntasse sobre o assunto.
"Tem empresas que fazem doações e não querem aparecer"
alegou. Mas ele garantiu que toda a documentação contábil do partido, envolvendo auxílio para campanhas, é sempre encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), no momento da prestação de contas, como determina a legislação. "Temos de dar recibo daquilo que recebemos", lembrou.
O secretário-executivo do PPB do Rio Grande do Sul sustentou a tese de que o candidato deve ficar com as informações para si. "O segredo de uma campanha é o candidato concentrar informações e não as disseminar", comentou. Indagado sobre o significado do ensinamento "Trate de deixar claro que você não esquecerá o apoio", passado aos candidatos pepebistas, Fogaça negou que o aviso implique em retribuição do favor em caso do candidato ser eleito. "O apoio é uma coisa espontânea"
argumentou.
O PPB gaúcho possui 145 prefeitos - é o segundo partido em número de prefeituras - e 1.452 vereadores. Está lançando amanhã (10) uma campanha para tentar ganhar mais municípios em 2000.
Neste esforço, passou a criticar o governo Olívio Dutra (PT), de quem é adversário político, acusando-o de não criar empregos nos oito meses de governo. Herdeiro político da antiga Arena, o PPB disputou, em 1998, o governo estadual coligado ao PMDB, PFL, PSDB e PTB, respaldando a candidatura do ex-governador Antonio Britto (PMDB). Um pepebista, o então deputado estadual José Otávio Germano, concorreu a vice-governador na chapa de Britto.


