Manual auxilia portadores de deficiências
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sexta-feira, 14 de novembro de 2003
Candice Dequech<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Não há números oficiais, mas estima-se que 10% da população do Paraná apresentam deficiências, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Deste total, de acordo com José Simão Stczaukoski, coordenador estadual do Programa de Apoio a Pessoas com Deficiências Físicas, da Secretaria de Estado do Emprego e Relação do Trabalho, 5% são portadores de deficiências mentais, 2% físicas, 1,5% auditivas, 1% múltiplas e 0,5% visuais. No entanto, até o final deste ano, apenas 1,5% do total da população portadora de deficiências deverá estar inserida no mercado de trabalho. A situação preocupa entidades que se mobilizaram e lançaram ontem um manual intitulado ''Pessoas com deficiência: inserção no mercado de trabalho''.
O manual, desenvolvido pela Câmara Americana (Amcham), é destinado a empresários e foi criado com o objetivo de ajudar na inclusão de deficientes no mercado de trabalho. Segundo Suzane Zanetti, uma das organizadoras do manual, embora a Lei Federal 8.213 de 1991 obrigue empresas com mais de 100 trabalhadores a ter de 2% a 5% de sua grade de funcionários composta por deficientes, muitas não cumprem, e outras desconhecem. ''O manual vem para instruir e incentivar'', disse Zanetti.
Neste ano, segundo Stczaukoski, cerca de 3,4 mil deficientes se inscreveram à procura de vagas no mercado. O número de vagas disponíveis é de cerca de 2,4 mil e foram encaminhados, até agora, aproximadamente 3,7 mil inscritos. Oitocentos e quarenta canditados já foram contratados. Destes, 501 são portadores de deficiência física, 227 são portadores de deficiência auditiva, 70 são deficientes visuais, 35 são deficientes mentais e sete são reabilitados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). ''O número é ainda muito pequeno. Se conseguirmos incluir um especialista em cada uma das Agências do Trabalhador distribuídas pelo Estado, pretendemos chegar aos mil contratados no próximo ano (o equivalente a 3,5% dos 10% de portadores de deficiência no Paraná)'', contabiliza Stczaukoski.
''Agora, com os diversos programas de capacitação para deficientes a situação deve melhorar'', disse Stczaukoski. Segundo ele, um grande empecilho que dificulta a maior inserção de deficientes no mercado de trabalho ainda é a falta de qualificação. ''Dos cerca de 3,4 mil do total de inscritos, 59% não tinham condições de competir no mercado tradicional. Ainda falta capacitação.''
O procurador regional do Ministério Público (MP) do Trabalho, Ricardo Tadeu Marques da Fonseca, que é cego, conta que passou por muitas dificuldades para se formar e para conseguir um emprego. No entanto, agora, ele já trabalha há 12 anos para o MP do Trabalho e é o primeiro procurador do órgão portador de deficiência visual. ''Eu agradeço muito aos meus colegas de faculdade que me ajudaram bastante'', disse. Fonseca perdeu a visão enquanto estava estudando, mas não desistiu. Agora ele é também doutorando.


