Londrina - Cobradores e motoristas de ônibus decidiram ontem ratificar o indicativo de greve da assembleia realizada no dia 10 de agosto. Dos 1.064 votos, 952 disseram sim à decisão de paralisar os serviços, 92 disseram não à greve de protesto com paralisação do serviço, 17 foram favoráveis à demissão dos cobradores e acúmulo de funções aos motoristas, dois votaram nulo e um voto foi em branco.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Urbanos de Londrina (Sinttrol), João Batista da Silva, a ratificação do indicativo de greve não quer dizer que os trabalhadores entrarão em greve imediatamente. ''Isso só acontecerá se a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) autorizar a retirada de cobradores, mas eu me reuni com o presidente da CMTU e ele me garantiu verbalmente que nenhuma atitude nesse sentido será tomada sem o diálogo com o sinttrol'', declara Silva.
De acordo com André Nadai, presidente da CMTU, antes da companhia notificar as empresas sobre a retirada dos cobradores será realizada uma reunião com o Sinttrol. ''Vamos apresentar para eles a ideia do estudo que será feito sobre a necessidade de mudança em algumas linhas. As empresas não podem retirar cobradores sem autorização da CMTU'', disse. Ele afirmou, no entanto, que apesar de não garantir a estabilidade de emprego aos cobradores, a companhia vai cobrar ampliação das vagas de cursos preparatórios para mecânicos, borracheiros e eletricistas. ''São 360 vagas para estes cursos, queremos que sejam ampliadas para 500 vagas'', finalizou.
A votação transcorreu de forma tranquila, mas os cobradores demonstraram que estão bastante insatisfeitos com a publicação do edital, mesmo com as declarações dadas pelas empresas de que eles seriam transferidos para outros cargos. O cobrador Marcos Antônio Viana, de 35 anos, afirma que ele não teria como ser transferido para o cargo de motorista, pois não possui a carteira nacional de habilitação (CNH) da categora B. '' O que farão comigo? Provavelmente me colocarão para vender cartões ou para lavar carros e trocar pneus!'', diz indignado.
Ele afirma que alguns colegas foram a Maringá, onde os ônibus já circulam sem cobradores, para ver o que está acontecendo com os motoristas que trabalham sem a presença de cobradores. Eles constataram que existem casos de motoristas que estão deixando passageiros descerem pela porta de entrada e se apropriando do dinheiro. '' Fora isso existe a possibilidade dos motoristas ficarem com hérnia de disco e problemas de coluna'', alega.
Outro cobrador, José Maurílio dos Santos, de 40 anos, diz que a publicação do edital foi um desrespeito às pessoas que precisam trabalhar. '' Todos precisam do emprego e é decepcionante que um prefeito que é do Partido Democrático Trabalhista não respeite os trabalhadores. Ele deveria pensar de forma diferente'', comenta. (Colaborou Michelle Aligleri)

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