Mansur vai se apresentar esta semana em São Paulo
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quarta-feira, 25 de outubro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Os advogados do empresário Ricardo Mansur, Sérgio e Mílton Rosenthal, já negociaram com a Justiça a apresentação do seu cliente, ainda esta semana, à 12ª Vara Cível de São Paulo para depor sobre o processo da holding Barnet, controladora das redes Mappin e Mesbla. O dia exato está para ser definido. O empresário também deverá comparecer para depor no processo contra o Bradesco, que está sendo cuidado pelo juiz Ali Mazloum. O juiz deve marcar audiência com Mansur para os próximos dias.
Enquanto isso, o responsável pela Delegacia Especial do Aeroporto Internacional de São Paulo, Mário Ikeda, dá início a um levantamento para entender como o empresário entrou no Brasil, anteontem, chegando de Madri num vôo da Companhia Ibéria, sem ter sido parado pela Polícia Federal. De acordo com Ikeda, a chegada de Mansur ele desembarcou às 6h30, em Guarulhos coincidiu com o horário de pico do aeroporto. Entre às 5 horas e 9 horas chegam, em Cumbica, entre quatro e cinco mil pessoas, explicou o delegado. A média normal de passageiros que desembarcam no aeroporto é de menos de mil pessoas por período.
A Justiça já fez três pedidos de prisão do empresário. Pessoas nesta condição geralmente são detidas pela Polícia Federal. Ainda segundo o delegado Ikeda, no horário de pico, a polícia tem destacado uma equipe de reforço para fazer o controle de chegada de passageiros.
Normalmente, esses funcionários extras são de fora de São Paulo. De acordo com o delegado, desde o governo Collor, a lei de controle de entrada e saída de passageiros brasileiros foi abrandada. A partir de janeiro, essa situação vai mudar, quando faremos controle por código de barra de cada pessoa que entra no País.
A chegada de Ricardo Mansur, que estava fora do Brasil desde o ano passado, um pouco antes da falência do Mappin, foi uma surpresa. Seus advogados vinham apresentando atestados de saúde em que demonstravam que Ricardo Mansur estava com depressão. Algumas pessoas envolvidas com o caso acreditam que o empresário possa ter tentado se beneficiar de uma brecha na lei, que proíbe a prisão de qualquer eleitor cinco dias antes de um pleito eleitoral.
Apesar de ter entrado no Brasil ainda com a prisão preventiva decretada pela Justiça, o empresário não poderia ter sido interceptado pela PF no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Uma portaria ainda do governo Fernando Collor de Mello, que não foi revogada até hoje, impede a PF de fiscalizar brasileiros quando saem ou entram no País. Isso só poderá ser feito se houver qualquer indício de irregularidades, como a suspeita de tráfico de drogas.
Mesmo com a possibilidade de fuga para o exterior do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, acusado de desvio de R$ 169 milhões das obras do fórum trabalhista de São Paulo e do próprio Mansur - que viajou para Londres após a decretação de falência do Mappin - , o governo reluta em revogar a portaria.


