Mansur será indiciado por envio de e-mail contra Bradesco
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sábado, 04 de dezembro de 1999
Por Renata Deos 
São Paulo, 04 (AE) - O setor de crimes pela Internet da Polícia Civil de São Paulo apreendeu quatro computadores no escritório de duas empresas do empresário e ex-controlador do Mappin, Ricardo Mansur, em São Paulo, no final da tarde de quinta-feira (02). Há três meses a polícia seguia pistas para descobrir o autor de um spam, envio de e-mail não solicitado para vários usuários, alertando o mercado brasileiro de que o banco Bradesco passava por séria crise financeira e poderia falir.
Segundo o delegado Mauro Marcelo de Lima e Silva, que coordenou a investigação, o e-mail foi enviado para pessoas em pontos precisos no setor financeiro. "O e-mail continha cifras e fatos sobre o banco como provisões e dívidas, com a intenção de provocar um efeito dominó que poderia afetar o banco Bradesco e todo sistema financeiro", diz Lima e Silva. Segundo ele, as mensagens também atentavam contra a honra dos diretores da instituição.
As investigações envolveram as polícias de Londres e dos Estados Unidos, pois as mensagens anônimas partiam de uma conta do provedor de endereços eletrônicos gratuito norte-americano hotmail. Com ajuda de um software especial para rastrear mensagens, a Polícia paulista conseguiu descobrir que as mensagens estavam partindo de Londres, de um cybercafé (computador público colocado em cafés), dificultando a investigação.
Ao quebrar o sigilo da conta de correio eletrônico [email protected] nos Estados Unidos, com autorização judicial, os policiais paulistas descobriram provas que incriminam Ricardo Mansur e pelo menos duas de suas empresas em São Paulo, a United Empreendimentos Imobiliários e a Internacional Processamento de Dados.
Além dos três meses de investigações e da apreensão dos quatro computadores, a polícia grampeou por 15 dias, com ordem judicial, o e-mail particular de Mansur. O delegado Lima e Silva não quis divulgar detalhes da investigação, mas afirma que as provas são técnicas e inquestionáveis contra o acusado. Os computadores agora apreendidos estão sendo submetidos a programas especiais de software que poderão revelar informações que podem ter sido apagadas. "A divulgação de boatos com intuito de prejudicar o sistema financeiro é crime grave que pode ser punido com 3 anos de reclusão", diz o delegado. A fase de investigação e coleta de material do inquérito policial está concluída. Nos próximos dias Mansur será indiciado e deverá prestar depoimento.
Mansur, que está atualmente em Londres, tornou-se conhecido no mundo dos negócios por comprar empresas em dificuldades, torná-las lucrativas e depois vendê-las, como as fábricas de laticínios Vigor e Leco, a fabricante de alimentos em conserva Peixe e a franquia da Pizza Hut em São Paulo. O mito se quebrou em 29 de julho quando foi decretada a falência do Mappin por causa de um rombo de mais de R$ 1,12 bilhão em dívidas com bancos, fornecedores, impostos e indenizações trabalhistas.
O empresário, em agosto, por meio da Barnet Indústria e Comércio S.A., sucessora da United Indústria e Comércio S.A., holding que controlava o Mappin, entrou com uma ação por perdas e danos contra o Bradesco, perante a 29.ª Vara Cível de São Paulo, alegando que o banco contribuiu para a quebra da rede de lojas de departamento Mappin pelo fato de não ter feito o repasse de créditos que havia se comprometido a fazer.
O Bradesco é um dos maiores credores do Mappin, com créditos superiores a R$ 100 milhões. Na época, o advogado do banco, Sérgio Bermudes, disse que, além de recorrer, moveria outra ação contra a Barnet como litigante de má-fé. A reportagem da Agência Estado tentou falar com o advogado de Mansur, mas não obteve retorno.


