Santos, SP, 05 (AE) - O prefeito Beto Mansur (PPB) garantiu hoje que dará o apoio necessário à Comissão Parlamentar de Inquérito que vai investigar o narcotráfico e o roubo de cargas no Porto de Santos. "Como prefeito pretendo proporcionar toda estrutura para a realização do trabalho e também ajudar no que for necessário", disse. Mas ele fez um alerta aos deputados para que "trabalhem com a cabeça no lugar" a fim de que a imagem da cidade não seja denegrida. "Santos é uma cidade tranquila e boa de se viver", enfatizou.
Ele não concorda com a afirmação do deputado de seu partido, Celso Russomano de que o município estaria contaminado pelo crime organizado. "É preciso separar a cidade e sua população - incluindo-se aí os estivadores, uma categoria que abriga muita gente séria - dos problemas causados pelo narcotráfico", alerta Mansur. Para ele, todas as vezes que se pretende generalizar uma situação comete-se uma injustiça. "Daí o cuidado que se deve ter ao falar das pessoas ou de uma categoria."
Reportagem publicada hoje pelo jornal "O Estado de S.Paulo" denuncia o envolvimento de estivadores, Polícia Civil, Polícia Federal. Receita Federal, Guarda Portuária e outras categorias, incluindo empresários, no tráfico de drogas e roubo de cargas no Porto de Santos. Um fato que o prefeito quer que seja rigorosamente apurado "para que os responsáveis possam ser punidos".
Entretanto, Mansur avalia que a CPI deveria ficar "fora das luzes e fazer uma investigação apurada, se possível, no sigilo para que possa chegar a uma conclusão e resolver o problema". Ele não quer colocar Santos nas manchetes como cidade do crime organizado. "Quero apoiar os deputados porque estamos tocando numa ferida do País, como o narcotráfico, mas a investigação tem que ser feita com calma e tranquilidade para não acusar sem provas".
Como Santos é o maior Porto da América Latina, com grande movimento de importação e exportação Mansur prega a necessidade de ter uma polícia "competente, séria e bem estruturada, com equipamentos de última geração e até cães farejadores, para que possam ser investigadas denúncias concretas".
O delegado regional da Baixada Santista, Anivaldo Registro, disse hoje que seria interessante se os piratas entrevistados na reportagem tivessem especificado que tipo de atribuição é dada ao policial e qual a contribuição dada por eles nos crimes envolvendo o narcotráfico e o roubo de cargas no Porto de Santos
além de citar onde e quando tais delitos foram cometidos. "É preciso produzir provas porque hoje a pessoa é inocente até que se prove o contrário, mesmo porque não podemos lançar nomes sob pena de sermos acionados por danos morais", explicou.
Registro revelou ainda que na cidade nenhum policial foi afastado do cargo por roubo de carga ou tráfico de drogas, porque nesses casos prevalece a lei do silêncio e as pessoas se negam a prestar informações. Comentou ainda que, em contrapartida, já foram registrados vários casos de abuso de poder e mau atendimento ao público, atos praticados por policiais que já foram afastados até a apuração final dos fatos.
O delegado regional disse ainda que as acusações de roubo de carga e narcotráfico contra policiais da região não foram ainda comprovadas. "Temos interesse de purificar a Polícia e se as denúncias forem comprovadas os envolvidos serão imediatamente afastados, mas, infelizmente, muitas vezes deixamos de punir porque as pessoas não formalizam as denúncias."

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