Manobras radicais em duas rodas
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domingo, 27 de março de 2011
Marian Trigueiros <br> Reportagem Local 
Cerca de 50 competidores participaram ontem do 8º Campeonato Londrinense de Dirt Jump, realizado no Jardim Maria Celina (norte). Divididos nas categorias iniciante, profissional e amador, crianças e adultos se superavam a cada manobra, saltos e aterrissagens perfeitas. Com origem nas corridas de bicicross, o Dirt Jump acabou se tornando uma das cinco modalidades do BMX, em que os pilotos fazem manobras no ar em cima de bicicletas em rampas de terra ou cimento. Nesta modalidade, o objetivo não é completar o percurso no tempo mais rápido, mas realizar os melhores ''truques'', já que a pontuação é dada conforme o grau de dificuldade da execução.
De acordo com um dos coordenadores do evento, Jean de Lima Moreira, apesar de ser um campeonato regional, parcipantes de outros estados estavam presentes. ''Aqui tem bikers que já ganharam vários títulos, tanto no Brasil quanto no exterior'', comenta. E não é à toa, porque o que se via era um show de manobras que variavam desde um simples one-footer, que consiste em tirar um dos pés do pedal, até outros truques mais avançados como back flip, tail whip, 360 graus e bar spin, ou seja, mortal para frente, tirar o quadro da bicicleta, girar em 360 graus e girar o guidão, respectivamente. Tudo no ar, diga-se de passagem.
Pequeno, mas grande no talento, Luiz Felipe Marques Dias, de apenas 9 anos, pratica o esporte desde os 4 anos. ''Essa é a segunda vez que participo do campeonato. Fiz uma manobra em que tirei os braços do guidão durante o salto'', conta o pequeno, que iniciou no esporte radical por incentivo do pai, que também pratica as manobras, Johnny Marques Dias. ''Tenho certeza que ele vai ser um dos melhores do Brasil'', profetiza o pai, revelando ter planos de levar o menino para treinar nos Estados Unidos.
Mas se o biker mirim parece ser um adulto em cima de duas rodas, os profissionais mais velhos demonstram ser verdadeiros gigantes na arte das manobras aéreas. Assim como Paulo Eduardo Sacchelli Saçaki, de 22 anos, que de volta ao Brasil depois de uma temporada na Itália, onde ganhou dois importantes campeonatos, inspirava os iniciantes com seus saltos de mais de dois metros de altura e extremamente audaciosos. ''Infelizmente, aqui no país não existe patrocínio. Tudo o que conquistei lá fora foi com a ajuda da minha mãe. Mas agora vou deixar o esporte e apenas praticar por hobby'', conta o jovem.
Outro competidor que abrilhantou o evento foi Gleyson Félix, de 30 anos. Reconhecido no Japão por ter vencido Corey Martinez, um dos mais feras da modalidade, o biker está de volta à Londrina depois da crise no país oriental onde viveu por 4 anos. ''Mas hoje não vim competir. Estou aqui para animar e me divertir com o pessoal'', diz ele, que já contabiliza cerca de dez títulos importantes em quinze anos de carreira. O Dirt Jump de Londrina tinha ainda Fernando Prado Kloster, de 20 anos, que já passou uma temporada de 2 anos nos Estados Unidos. ''A modalidade lá é muito valorizada. Temos a oportunidade de treinar forte e melhorar o nível'', observa.


