São Paulo, 29 (AE) - A primeira reunião da Comissão Processante, que deve julgar o pedido de cassação do vereador Vicente Viscome (expulso do PBB), ocorrida na manhã de hoje, foi um retrato da insatisfação de alguns parlamentares que foram sorteados para participar do grupo. Em uma manobra política, tentou-se suspender a comissão sob acusação de falta de imparcialidade. A tentativa de suspensão partiu do vereador Dito Salim (PPB), que contestou o procedimento de colegas, que deram entrevistas à imprensa.
Segundo Salim, as entrevistas foram improcedentes e precipitadas, descaracterizando a isenção dos membros do grupo. A questão da parcialidade já havia sido levantada logo após o sorteio e eleição de presidente e relator - ambos governistas - da comissão. Vereadores da oposição alegavam que a base governista poderia suscitar dúvidas a respeito da isenção do resultado do parecer. O vereador é suspeito de ter participado de esquema de cobrança de propina da empresa Panco. Salim mostrou várias vezes sua intenção de não participar do grupo e pediu que fosse afastado depois de sorteado.
A reunião foi extremamente confusa. Os vereadores admitiram estar indecisos quanto aos trâmites por causa de a formação dessa comissão ser um ato sem nenhum precedente na Câmara Municipal. A comissão tem cinco dias para iniciar os trabalhos e notificar o denunciado, que terá dez dias para apresentar uma defesa prévia. Concluídas as apurações, a comissão deve emitir parecer, indicando a procedência ou não da acusação. O parecer é levado a plenário e são necessários 37 votos para a cassação.
No fim da tarde, a Comissão Processante voltou a reunir-se para tratar de detalhes legais referentes à forma como será encaminhada a notificação para defesa de Vicente Viscome. (Gabriella Carelli e Gláucia Leal)

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