São Paulo, 26 (AE) - A prorrogação do prazo da CPI dos Fiscais da Prefeitura de São Paulo poderá ser definitivamente sepultada amanhã (27), quando será submetido a votação um projeto do vereador Wadih Mutran (PPB), integrante da CPI. O projeto prevê a prorrogação da comissão somente por mais três dias. A manobra pretende impedir que sejam apresentados outros requerimentos de prorrogação por um prazo maior. O prazo só pode ser prorrogado uma vez.
A manobra dos governistas só não deu certo hoje por falta de um voto . Hoje também foi rejeitado o pedido de prorrogação da CPI por 89 dias, apresentado pelo presidente da CPI, vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT).
A guerra pela CPI promete continuar na sessão de amanhã: de um lado, o projeto de Mutran; de outro, o de Cardozo, que pedirá, desta vez, a continuidade da comissão por mais 88 dias. A diferença é que a proposta de Cardozo poderá nem ser colocada em votação. A de Mutran está na pauta do dia.
Na quinta-feira, a prorrogação da comissão por 90 dias foi vetada com o voto de 30 vereadores, numa manobra que também impediu a abertura da CPI dos Precatórios e arquivou o processo de impeachment do prefeito Celso Pitta. Cardozo então prometeu que, se a prorrogação fosse novamente rejeitada, voltaria a apresentar o projeto com o prazo alterado para mais 88, 87, 86 dias, até que fosse aprovado. O que a oposição não esperava, mais uma vez, eram a astúcia e a rapidez da bancada governista para acabar com a comissão.
A articulação dos governistas foi coordenada pelo próprio prefeito Celso Pitta, ao angariar os 30 votos para impedir que prosseguisse seu processo de impeachment. "Esses 30 votos estarão com o prefeito até o fim do ano 2000", declarou o líder do PPB, Paulo Frange, na quinta, depois da sessão vitoriosa. Vereadores ligados ao ex-prefeito Paulo Maluf também estão contra as investigações.
Impunes - Com o fim dos trabalhos da CPI em 9 de junho, não serão investigados vários vereadores. Segundo o Ministério Público, dos 30 vereadores que votaram contra a CPI na quinta-feira, 10 estão sob suspeita. Maria Helena (PL), por exemplo, foi acusada pelo ex-administrador regional da Freguesia do à Milton de Jesus de comandar esquema de cobrança de propinas quando comandava aquela regional. Depois da denúncia, ela ameaçou o ex-administrador, que voltou atrás e negou tudo. O caso está sendo investigado pela polícia, mas o inquérito anda a passos lentos.
Outro que ficaria sem investigação é o vereador Bruno Feder (ex-PPB, recém-filiado ao PTB). Ele "nomeou" funcionários contratados pela Anhembi Turismo para trabalhar na Administração Regional da Vila Mariana, no Módulo 2 do Plano de Atendimento à Saúde (PAS), no Butantã - ambos sob seu controle político - e em sua campanha eleitoral para deputado estadual, no ano passado.
Os funcionários indicados por Feder identificavam-se como assessores da regional e controlavam setores inteiros, como o de atendimento ao público e o de fiscalização de camelôs. O PAS 2 (Lapa/Butantã) é o campeão de irregularidades na cidade.
Acusado de apropriar-se do salário de funcionários de seu gabinete, Osvaldo Enéas (Prona) também sairá ileso com o fim da CPI. Idêntica é a situação de vários parlamentares da Casa. Todos, coincidentemente, votaram pelo fim da CPI.
O argumento dos governistas, de que a CPI estaria apenas repetindo os trabalhos da polícia, é rebatido pelo delegado Romeu Tuma Júnior, um dos comandantes das investigações policiais. "O fim da CPI prejudica os trabalhos da polícia", afirma o delegado. "A comissão trouxe muitas provas para os inquéritos e tomou o depoimento de gente que nem mesmo a polícia conseguiu ouvir."
Tuma Júnior torce para que os vereadores aprovem a prorrogação da comissão. "Não é uma luta de situação contra oposição", observa. "É do bem contra o mal." Caso a CPI seja arquivada, o delegado prevê uma desmoralização do Legislativo. "Será um organismo infiltrado por maus elementos, mas que não têm coragem de se investigar." A mobilização dos oposicionistas pela continuidade da CPI incluirá uma manifestação popular pró-CPI para amanhã na Câmara.

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