Manobra garantiu aprovação do fim do movimento
A proposta de ''trégua'' do governo paraguaio foi anunciada de forma superficial e não chegou a ser discutida pelos trabalhadores brasileiros. O documento foi apresentado aos cerca de mil manifestantes como se determinasse a suspensão da fiscalização dos trabalhadores ilegais em Ciudad del Este por 30 dias. O tempo de interrupção do trabalho dos fiscais, na verdade, não foi especificado no acordo.
Depois de lida, a proposta paraguaia foi colocada em votação, mas somente os favoráveis opinaram. Sem consultar os contrários, líderes do manifesto decretaram o fim do fechamento da Ponte da Amizade. Em seguida, um carro de som foi acionado para animar o público, apesar das manifestações contrárias no local.
Segundo resolução da Câmara Municipal de Ciudad del Este, os empresários devem regularizar a situação de seus funcionários sem carteira de migração. Do contrário serão notificados e, em caso de reincidência, multados (R$ 126 mil). O governo concede a carteira de migrante somente para quem tem residência comprovada no Paraguai - principal exigência para trabalhar no país vizinho.
Uma das coordenadoras do movimento, Larice Acosta Cassel, 27 anos, alertou que a Ponte da Amizade pode ser fechada novamente caso aconteçam novas demissões de funcionários estrangeiros. ''Vamos continuar unidos esperando o desfecho do caso'', disse. Ela ressaltou que estudaria os pontos acordados numa reunião à noite com o comando do protesto.
Já o coordenador da fiscalização de estrangeiros ilegais em Ciudad del Este, Ganino Paniagua, afirmou que o entendimento binacional foi a forma encontrada para abrir um canal de negociação entre as autoridades. ''É preciso ter paciência para encontrarmos a solução'', comentou. (A.P.)





