São Paulo, 22 (AE) - Uma manobra dos aliados do prefeito Celso Pitta (PTN) na Câmara dos Vereadores impediu hoje a votação para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as denúncias da primeira-dama do Município, Nicéa Pitta. Vereadores governistas esvaziaram o plenário para impedir que o pedido de CPI fosse colocado em votação.
Dessa vez, os favoráveis à abertura da CPI foram prejudicados por dois colegas da oposição: os vereadores Rubens Calvo (PSB) e Salim Curiati Júnior (PPB). A ausência dos dois parlamentares no plenário durante a verificação de presença impediu o prosseguimento da sessão e a votação da CPI.
Segundo a assessoria de Calvo, o parlamentar passou mal e teve de ser atendido no ambulatório da Câmara. Em relação a Curiati, que estava presente no início da sessão, a informação oficial é de que ele teve de acompanhar o enterro de uma tia, no Cemitério da Quarta Parada.
A informação no plenário, porém, é que Curiati teria saído por orientação do partido, para não haver quórum para a votação. Assessores de Curiati informaram que ele estaria sofrendo muita pressão dos dirigentes do partido para não votar mais com a oposição. Desde o seu rompimento com o prefeito Celso Pitta (PTN) e a saída do prefeito do PPB, Curiati tem votado sistematicamente com as bancadas de oposição. O vereador Wadih Mutran (PPB) não confirmou a informação. "Eu nem vi o Curiati hoje", disse. Amanhã (23), a bancada irá reunir-se para discutir as denúncias contra Pitta.
PL - Hoje, o PL fechou posição e decidiu apoiar uma CPI para avaliar as denúncias da primeira-dama. Segundo o vereador Viviani Ferraz, a orientação da executiva do partido é de que os vereadores da bancada apóiem a instalação da CPI. "Os demais pedidos de CPI dependem da avaliação individual de cada um", disse Ferraz. No final da tarde, o presidente da Executiva regional do PL em São Paulo, Marcos Cintra, emitiu nota confirmando a decisão da legenda em relação às denúncias de Nicéa.
No PMDB, a situação continua indefinida. Segundo Miguel Colasuonno, os membros do partido deverão assumir alguma posição depois que o relatório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) chegar à Câmara. O parecer, que propõe o impeachment do prefeito
deve ser enviado para o Palácio Anchieta, sede do legislativo municipal, até o início da próxima semana.
Posição semelhante tem os vereadores da bancada governista "Não dá para acusar se não houver provas consistentes", disse Wadih Mutran. "Como condenar um réu sem provas?"

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