Manifestantes voltam às ruas de Quito contra dolarização Do enviado especial ROBERTO LAMEIRINHAS
Manifestantes voltam às ruas de Quito contra dolarização Do enviado especial ROBERTO LAMEIRINHAS15/Mar, 17:36 Quito, 15 (AE-AP) - Pouco mais de dois meses depois de causar a queda do presidente Jamil Mahuad, sindicatos de trabalhadores urbanos e rurais e estudantes voltaram hoje (15) às ruas de Quito para tentar frear o processo de dolarização em marcha no Equador. "Trata-se certamente de uma manifestação importante e de um marco significativo, mas seria exagero prever que essa nova onda de protestos possa ter o mesmo alcance da anterior", explicou à AE o analista e editor político do jornal equatoriano Hoy, Orlando Pérez. "A situação, no entanto, pode complicar-se após o dia 21, quando o principal movimento indígena equatoriano (a Confederação das Nações Indígenas do Equador, Conai) e a Coordenadoria de Movimentos Sociais planejam iniciar os seus protestos." Pérez assinalou que os protestos de hoje em Quito - para os quais centenas de ônibus chegavam de vários pontos do país no começo da tarde - tinham sido convocados para marcar a posição dos sindicatos contra o plano de dolarizar a economia apresentado por Mahuad em 9 de janeiro e adotado pelo sucessor dele, Gustavo Noboa. Na terça- feira, Noboa havia enviado ao Congresso unicameral equatoriano um novo pacote de leis para regulamentar a adoção da moeda americana. "O que se vê nas ruas não exatamente uma resistência à dolarização em si, mas sim à forma como ela foi proposta", disse Pérez. "A paridade fixada em 25 mil sucres por dólar significou uma maxidesvalorização da moeda equatoriana que endividou demasiadamente todos os que tinham dívidas corrigidas pelo dólar." O pacote de projetos enviado por Noboa ao Congresso deve ser aprovado na íntegra. Ele estabelece que o processo de dolarização passa a vigorar a partir de 1º de abril, inicialmente atingindo as operações do mercado financeiro. A transição total do sucre para o dólar deve levar, de acordo com previsões do governo, de 16 meses a dois anos. A dolarização é vista por membros do governo equatoriano como a esperança de superar as piores taxas de inflação, recessão e desvalorização da América Latina e o índice de desemprego de 17%, que têm levado mais 60% da população a viver abaixo da linha de pobreza. A revolta popular do começo do ano derivou-se para uma crise militar. Mahuad foi praticamente forçado a deixar o palácio presidencial antes de as Forças Armadas declararem o cargo vago e instalar no poder - na busca de um verniz constitucional - o vice- presidente Noboa.





