Manifestantes vão às ruas na Marcha da Maconha
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domingo, 24 de maio de 2015
Luís Fernando Wiltemburg<br> Reportagem Local 
Londrina - Manifestantes favoráveis à descriminalização e legalização da maconha promoveram ontem a Marcha da Maconha, pelo centro de Londrina, para fomentar a discussão sobre o uso da erva para diversos fins. Apesar da orientação pelo uso não durante o evento ter sido feita nas reuniões de organização, alguns participantes acenderam baseados.
A concentração dos manifestantes ocorreu na Concha Acústica e lotou os bancos concreto do local. Dali, partiram em direção ao Zerão com faixas e camisetas alusivas à marcha e à liberação. A Polícia Militar não acompanhou a manifestação e não houve contagem estatística de participantes.
Manifestantes afirmaram que o evento foi inédito na cidade e que a organização foi feita sem uma hierarquia, mas não quiseram fornecer os nomes devido ao preconceito que sofrem por ser usuários ou favoráveis à descriminalização.
Um dos manifestantes diz que o objetivo da marcha não é incentivar o uso, mas suscitar o debate para uma mudança nas leis antidrogas e de segurança pública, assim como as aplicações que a liberação da maconha pode trazer. "Temos uso medicinal, impactos da venda legal, vários aspectos. O uso recreativo é o último item da pauta", afirmou.
Para ele, a liberação da droga permitiria que as pessoas cultivassem a maconha em casa, o que teria reflexo direto na saúde e na segurança do usuário. "Quem produz em casa, não vai atrás de um produto de má qualidade, num lugar em que vive com outras drogas mais pesadas", exemplificou. Além disso, ele ressalta que a droga que mais tem impacto na sociedade, o álcool, tem comercialização liberada e incentivo incentivado por publicidades.
Outro participante, um jornalista de 33 anos, diz ser antiproibicionista e afirma que o debate é mais amplo que a legalização da maconha. "Nós temos mais investimentos na política de segurança para combate e repressão das drogas do que teríamos em saúde, caso houvesse a liberação das drogas com controle do estado", avaliou.
Destacando-se pela aparência da massa jovem que compunha majoritariamente a manifestação, um engenheiro eletricista de 43 anos atenta para uma patente norte-americana de pesquisas de aplicação de canabinoides (substâncias químicas presentes na maconha) para tratamento e profilaxia de doenças neurológicas, incluindo Alzheimer e Parkinson. "O próprio governo dos Estados Unidos, que se levanta contra a maconha dizendo que é uma droga que prejudica o sistema nervoso, patenteou a pesquisa que contradiz o discurso", reclamou.


