Manifestantes vão às ruas e falam em 'desmonte da educação'
Ato promovido em sintonia com outros protestos pelo Brasil teve como alvo medidas dos governos federal e estadual
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Ato promovido em sintonia com outros protestos pelo Brasil teve como alvo medidas dos governos federal e estadual
Pedro Marconi - Grupo Folha 

Professores, estudantes, pessoas ligadas a movimentos sociais, partidos à esquerda e entidades da sociedade civil e sindicatos foram às ruas em manifestação nesta terça-feira (13), em 204 cidades brasileiras, segundo a UNE (União Nacional dos Estudantes), em defesa da educação. Foi o terceiro ato tendo como mote a questão educacional neste ano. Em Londrina, o protesto se concentrou no Calçadão, no trecho entre as avenidas São Paulo e Rio de Janeiro, às 15h. Após período de panfletagem, o grupo saiu em passeata até o Terminal Central, por volta das 18h30, encerrando na Concha Acústica, onde foram promovidas atividades culturais.
De acordo com Ronaldo Gaspar, presidente do Sindiprol/Aduel (Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina), a manifestação na cidade foi promovida por um comitê unificado que congrega vários movimentos e o coletivo sindical. “Basicamente é um ato de demostração de insatisfação com a condução das políticas educacionais no Brasil. Temos visto o Governo Federal agir de um modo a desmontar as universidades e institutos federais, cortando verbas, e nós nos opomos a isso”, apontou.
"É um ato de demostração de insatisfação com a condução das políticas educacionais no Brasil"
Ronaldo Gaspar, presidente do Sinprol/Aduel -
Gaspar destacou que apesar de o protesto ter como foco principal as medidas adotadas pela federação, a educação superior estadual e básica também são alvos de contrariedades. “Os estudantes da UEL (Universidade Estadual de Londrina) têm visto governos que não vêm atendendo as necessidades de custeio da instituição. O governo Ratinho Junior tem ido na mesma direção e a UEL tem cada vez mais dificuldades de se sustentar. Além disso, está acontecendo a decomposição de conselhos educacionais em todo País, ingerências nas universidades, com reitores sendo nomeados a revelia da comunidade acadêmica e descaso com a educação básica”, elencou.
FUTURE-SE
Durante a manifestação em Londrina foi estendida uma grande faixa pedindo “educação para todos”, entre outros cartazes e adesivos contra o presidente Jair Bolsonaro. Foram colocados por algumas pessoas em estruturas públicas papéis pedindo a libertação do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. O projeto para as universidades federais anunciando recentemente pelo governo, denominado Future-se, também entrou como ponto de oposição dos protestantes. A iniciativa, destinada a alterar a estrutura de financiamento e gestão das universidades e institutos federais, está em fase de consulta pública.
“Este programa levará a privatização do ensino público para atender interesses empresariais. A pauta da educação precisa ser levantada por todas e todos, sejam trabalhadores, profissionais de escolas e instituições educacionais, famílias. É um alerta geral, pois, a educação é um direito da sociedade”, apontou Letícia Freitas, representante do Levante Popular da Juventude. “Por meio da universidade se desenvolve tecnologia, conhecimento, e a UEL, com a lei geral, está com sua autonomia ameaçada”, acrescentou. Assim como nos outros atos registrados pelo Brasil, a reforma da Previdência foi outra pauta lembrada e objeto de fortes críticas.
DIVERGÊNCIA
O protesto em Londrina, que não teve o número de participantes divulgados, teve alguns pontos de divergências entre os organizadores e um grupo anarquista durante seu andamento, o que gerou esvaziamentos e atraso para efetivo início da passeata. No decorrer do caminho até a Concha, muitos motoristas reclamaram do ato e chegaram a insultar os manifestantes por conta das reivindicações e dos congestionamentos que acabaram ocorrendo. Condutores chegaram a fazer conversões irregulares para fugir do trânsito. “Eles precisam saber que o direito deles termina onde o nosso começa. Preciso trabalhar”, queixou-se um motociclista de aplicativo, que retornou a rua Professor João Cândido empurrando a moto na contramão.

Até o início da noite desta terça-feira, 85 cidades dos 26 estados e do Distrito Federal haviam assinalado protestos. Este último ato foi chamado de “tsunami da educação”. Em abril, o MEC (Ministério da Educação) promoveu o contingenciamento de verbas para instituições federais de ensino, gerando manifestações pelo País no dia 30 de maio e em 14 de junho.
CONCHA
Pintada durante a quarta-feira por voluntários, a Concha Acústica foi pichada por pessoas que estavam participando da manifestação durante a noite.


