Manifestantes representavam vários movimentos da oposição
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sábado, 22 de abril de 2000
Por Roldão Arruda (enviado especial) 
Porto Seguro, BA, 23 (AE) - A manifestação reprimida na região histórica reunia um largo leque de movimentos de oposição ao governo e de descontentes em geral. Os dois grupos mais visíveis e numerosos eram o dos sem-terra e o dos índios. Mas lá também estavam centenas de estudantes de diversas partes do País
grupos de anarquistas, punks e bolcheviques, bispos da ala progressista da Igreja Católica e missionários evangélicos.
Havia representantes das principais tendências do movimento negro, que é notavelmente subdividido, das organizações dos sem-teto, dos moradores de cortiços, de coletivos de mulheres e de vários sindicatos - professores, funcionários do correio, bancários e outros. Os partidos de oposição - PT, PSB, PSTU, PC do B - também enviaram emissários. Foram barrados na estrada até representantes de organizações místicas e militantes ecológicos.
D. Tomas Balduíno, bispo aposentado de Goiás e presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), disse que foi umas maiores articulações de movimentos populares - também chamados de resistência - na história recente do País.
Na sexta-feira pela manhã, durante uma entrevista coletiva em que os representantes das organizações anunciaram que a concentração seria feita em Porto Seguro, às 17 horas, na Praça Pitangueiras, o clima era de confiança, quase de euforia. A entrevista acabou se transformando numa espécie de ato de protesto, no qual foram duramente desancados desde Pedro álvares Cabral até os diretores dos organismos internacionais que conduzem a globalização da economia. Um dos refrões que podiam ser ouvidos um dia antes da repressão era: "Che, Zumbi, Antônio Conselheiro, na luta por justiça nós somos companheiros."
área denominada quilombo, na qual os representantes negros haviam se reunido, amanheceu hoje deserta. Na reserva pataxó onde foi realizada a Conferência Indígena, os poucos grupos que ainda estavam lá se mostravam cabisbaixos. A última delegação a sair do local, formada por remanescentes do povo tupinambá, de Ilhéus, embarcou em silêncio no velho ônibus que os trouxera sete dias antes à terra do desembarque de Cabral. No dia anterior, um grupo de guerreiros xavantes havia chorado, após ser emboscado por um tropa de choque da PM, na estrada que liga Cabrália a Porto Seguro. Hoje, um procurador da República lembrava que as manifestações públicas dos grupos indígenas são tradicionalmente pacíficas e a violência da polícia os deixou chocados. Agora, as diferentes organizações que foram atingidas pela repressão tentam articular-se para manifestar seu repúdio.


