Rio, 08 (AE) - Moradores da favela Barreira do Vasco, na zona norte do Rio, queimaram um ônibus, um carro e um caminhão de lixo da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) em protesto pela morte de um rapaz de 17 anos durante um confronto entre traficantes e policiais. O fogo acabou atingindo um trailer, também destruído. O trânsito no local foi interrompido.
A polícia informou que o rapaz morto era um dos traficantes envolvidos no conflito e que o incêndio foi iniciado por um grupo de 15 homens. A família e os vizinhos não quiseram comentar a morte do adolescente.
Policiais do 4.º Batalhão de Polícia Militar (São Cristóvão) ocuparam a favela na madrugada para investigar uma denúncia de que traficantes estaria embalando maconha na favela. Houve troca de tiros entre os PMs e o suspeito Cláudio Luíz Amaral Bento, de 21 anos. O rapaz de 17 anos teria sido morto durante o tiroteio. "Ele foi socorrido e morreu no Hospital Souza Aguiar", afirmou o comandante do 4.º BPM, tenente-coronel Paulo Sérgio Silva. "Vamos apurar o que houve, mas não há dúvidas de que o rapaz estava envolvido com o tráfico: apreendemos com ele uma pistola 380, dois carregadores e um telefone celular."
Apesar do protesto dos moradores, ninguém desmentiu a versão do comandante. O presidente da associação de moradores, José Carlos Ferreira, limitou-se a dizer que a manifestação ocorreu porque "todos ficaram revoltados com a atuação da polícia". "Niquinha sentou no chão e pediu para não morrer, mas atiraram mesmo assim", disse Ferreira. O nome do adolescente não foi divulgado pela família nem pela polícia.

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