Manifestantes protestam no Terminal Central
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segunda-feira, 28 de maio de 2018
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 

Motoristas que se identificaram como integrantes do aplicativo Uber bloquearam por pelo menos três horas a entrada e a saída de ônibus do Terminal Urbano Central de Londrina na manhã de segunda-feira (28). O bloqueio foi feito com os próprios carros dos manifestantes, sob entonação de palavras de ordem. O bloqueio começou na saída da avenida Leste-Oeste e logo se estendeu para a entrada da rua Benjamin Constant. Em pouco tempo, motociclistas e pedestres que passavam pelo local aderiram ao protesto. Por causa da manifestação, usuários do transporte coletivo enfrentaram atrasos para chegar aos destinos.
Os ônibus não puderam fazer integração dentro do terminal, mas continuaram circulando pelos trajetos convencionais. A orientação, de acordo com o chefe de segurança dos terminais urbanos, Dejalma Antônio Santos, era permitir integração a quem já tinha pago passagem, mesmo fora do terminal. Nas redes sociais da FOLHA, porém, muitos passageiros relataram não terem conseguido o benefício. No final da manhã, o piso superior do Terminal foi liberado e a circulação de ônibus começou a retomar a normalidade.
Um dos líderes do movimento é o motorista de Uber José Antônio Alves. Ele afirmou que a paralisação tinha o objetivo de representar os mais pobres. "Somos a favor da paralisação dos caminhoneiros, desde que seja igual para todos. Quem tem dinheiro continua abastecendo os carros,viajando para o exterior com conforto, enquanto a gente está sem combustível para trabalhar. Quem luta no dia a dia não está conseguindo abastecer. As empresas estão obrigando os funcionários a irem trabalhar, então vamos parar essas empresas também", afirmou.
A contadora Isabel Barros ficou sabendo da manifestação pelas redes sociais e foi de moto engrossar o protesto na avenida Leste-Oeste. "Vim porque espero que o Brasil mude. Pagamos muitos impostos, não dá para aguentar. Os pequenos empresários não sobrevivem", criticou.

Dentro do Terminal, o vendedor Mateus Machado foi pego de surpresa pela confusão e não sabia como iria chegar ao shopping Londrina Norte, onde começaria a trabalhar às dez horas. "Avisei a empresa que posso atrasar. Eles entendem que não é nossa culpa", comentou. Ele disse que desde a semana passada as vendas caíram na loja em que trabalha, por causa do desabastecimento. "É ruim porque ficamos sem comissão", lamentou ele, que apesar da redução dos ganhos, apoia a greve. "Os preços estão abusivos, o certo seria parar tudo", afirmou.
Vendedora no shopping Boulevard, Raíssa Franco também foi pega de surpresa pela manifestação e aguardava uma carona para conseguir chegar ao trabalho. Ela também percebeu queda no movimento do shopping, mas apoia a greve. "Alguma coisa precisa mudar", pediu.
Durante a confusão, muitas lojas no entorno do terminal fecharam as portas. Alguns lojistas decidiram suspender o atendimento por medo de vandalismo, mas outros apoiaram a manifestação. O gerente de uma loja de aviamentos, Marcelo Augusto Romeiro, afirmou que pensou em fechar as portas para reforçar o protesto. Ao perceber, entretanto, que muitos idosos estavam perdidos por não poderem pegar ônibus, decidiu manter a loja semiaberta. "Nossas clientes são idosas e acabaram entrando na loja para se refugiar. Por isso não fechamos", explicou.
Um dos idosos que ficou impossibilitado de retornar para casa é o aposentado José Carlos Zambron. Bastante aborrecido pela interrupção do serviço de ônibus, ele criticou os manifestantes. "Preciso voltar para casa e não sei como fazer. Apoio a greve dos caminhoneiros, mas também quero garantir meu direito de ir e vir", pediu.


