Londrina – A celebração dos 191 anos da Independência do Brasil deve misturar amanhã a tradição do culto aos símbolos nacionais com a indignação de grupos que querem reviver na data cívica a atmosfera de indignação dos protestos que sacudiram o País em junho.
Em Londrina, o ponto de encontro destas duas formas de expressão será a Avenida Leste-Oeste, onde hoje será instalada a estrutura provisória que vai abrigar autoridades, inclusive o prefeito Alexandre Kireeff (PSD). De acordo com os organizadores, o desfile, que começará às 9 horas, terá a participação de 1,2 mil pessoas, além de estimados 30 mil espectadores, enquanto o contingente dos manifestantes deve alcançar cerca de 2 mil pessoas.
Os dois grupos devem se misturar na avenida. Tanto a Polícia Militar, que participa da homenagem à Patria desfilando, quanto os manifestantes, que vão incluir o trecho da parada cívica na rota da passeata, prometem uma atitude pacífica. "Não vamos admitir vandalismo ou provocações de nenhum tipo. Vamos apenas nos manifestar contra o que consideramos uma ameaça aos direitos constitucionais", afirmou o professor Sílvio Melo, do grupo denominado Movimento Brasil. "A manifestação de rua é algo próprio da democracia. Não vamos interferir. Faremos um acompanhamento à distância e temos convicção de que não precisaremos agir", afirmou o porta-voz da Polícia Militar, Nelson Villa.
A concentração dos manifestantes mobilizados pelas redes sociais vai ocorrer às 8 horas no Calçadão, em frente ao Teatro Ouro Verde. O ato, batizado de Operação Sete de Setembro, tem uma pauta de reivindicações ampla, que engloba desde a prisão dos mensaleiros ao fim do voto obrigatório, passando pela reforma tributária e pela redução do número de deputados.
O empresário Arnoldo Bulle, um dos coordenadores, promete um dia inteiro de protestos, incluindo também um ato no Centro Cívico. A Operação Sete de Setembro teve a confirmação de cerca de 400 mil participantes até a noite de ontem em 149 cidades do país, 12 delas paranaenses.
Outro grupo que deve se expressar na Leste-Oeste são os integrantes dos movimentos sociais, com o Grito dos Excluídos, evento que se repete na na cidade desde 1996 como extensão da Campanha da Fraternidade e que este ano tem o tema "Juventude que ousa lutar constrói o projeto popular".
A Arquidiocese de Londrina, organizadora da marcha, espera a presença de cerca de 500 pessoas, o que engloba também o movimento estudantil Passe Livre e os sindicatos. "Não há histórico de violência nas manifestações de rua em Londrina portanto nós não nos preocupamos", afirmou a coordenadora das pastorais sociais, Márcia Ponce. Os católicos se concentrarão em frente a igreja da Paróquia Rainha dos Apóstolos, na Avenida Tiradentes, às 8h.
A coordenação de comunicação e eventos da Secretaria de Educação informou que apenas uma escola participará do desfile, o Colégio Estadual Hugo Simas. As escolas municipais estão fora este ano após decisão da secretaria, temerosa de possíveis atos violentos dos manifestantes.

mockup