Manifestantes favoráveis à reabertura da Estrada do Colono, antiga ligação entre as regiões Oeste e Sudoeste do Paraná, invadiram no último dia 8 um trecho da estrada dentro do Parque Nacional do Iguaçu. O grupo, de pelo menos 500 pessoas, roçou o leito do antigo caminho e montou acampamento nas duas extremidades do parque, em Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e Capanema (Sudoeste).
Rota utilizada desde os anos 20 pelos colonizadores, a Estrada do Colono foi fechada em 1986, quando o governo iniciava a sua pavimentação, por uma limiar da Justiça Federal. A interdição foi pedida por ambientalistas, que argumentavam que a passagem de veículos prejudica o ecossistema do Parque do Iguaçu, considerado pela Unesco (organismo das Nações Unidas para educação, ciência e cultura) como Patrimônio Natural da Humanidade.
Com o fechamento da ligação, a distância rodoviária entre as duas regiões do Estado aumentou em 120 quilômetros. A principal consequência foi o isolamento dos municípios que margeiam o parque. Os maiores atingidos foram Capanema e Serranópolis do Iguaçu, que ficaram com apenas uma ligação asfaltada com suas regiões e sem contato entre si.
Levantamento feito pelo professor Ademir Clemente, do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), concluiu que a interdição da estrada causou, em sete anos, um prejuízo de R$ 3,3 bilhões aos 14 municípios mais atingidos. Foram constatados redução da atividade econômica e êxodo populacional.
A questão opõe dois grupos distintos. De um lado, moradores e políticos das regiões Oeste e Sudoeste, que vêem na reabertura a redenção econômica e cultural de municípios enfraquecidos. Do outro lado estão ambientalistas e representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), órgão que administra o parque.
Esse grupo acredita que a eventual volta da utilização do trecho possa comprometer o ecossistema de uma das últimas reservas de floresta subtropical úmida do Brasil.
Apesar das divergências, Ibama e invasores deverão debater um projeto de revitalização da área elaborado pela Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec). As principais propostas são proibir o tráfego na estrada durante a noite, reforçar a vigilância e utilizar o parque em projetos de ecoturismo.

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