Manifestantes já tomam ruas de Washington Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 10 (AE) - Faltam cinco dias para a realização de duas grandes manifestações contra o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (Bird) em Washington. Mas os protestos - convocados por uma coalizão de 400 sindicatos, organizações não-governamentais e grupos estudantis e religiosos - já mobilizaram 70 pessoas no domingo e resultaram na prisão de sete hoje (10).
O incidente de hoje, apesar de insignificante, foi o suficiente para interromper o tráfico no centro durante 45 minutos e preocupar os organizadores da reunião do FMI e do Bird. No próximo dia 16 - quando começa o encontro de ministros, representando os 182 países membros das duas organizações - mais de dez mil pessoas sairão às ruas, para criticar as políticas das duas instituições financeiras e também os baixos salários nas economias ricas e pobres, as regras internacionais para o comércio, a destruição do meio-ambiente e a falta de democracia na ásia.
O protesto de hoje foi contra os empréstimos do Bird, para financiar projetos de mineração e de exploração de petróleo e gás que, segundo os manifestantes, resultam na destruição da camada de ozônio. O grupo de meia centena de pessoas amanheceu em frente à sede do banco (que fica em frente ao prédio do Fundo) a bordo de um caminhão, bloqueando o trânsito na rua.
Dois manifestantes foram presos por agentes do serviço secreto, enquanto tentavam escalar o prédio do Bird para erguer uma bandeira de protesto. Três deles foram levados pela polícia porque desobedeceram as ordens de sair do local. E outros dois tentaram impedir que o caminhão fosse removido, acorrentando seus corpos ao veículo.
Da prisão, uma das manifestantes - Liz Guy - deu uma entrevista telefônica, para dizer que a ação (apoiada pelos ecologistas) foram bem sucedida. "Conseguimos transmitir nossa mensagem, de que o Banco Mundial precisa parar de financiar projetos de petróleo, gás e mineração", disse.
No domingo passado, uma multidão de cinco a sete mil manifestantes - que reuniu desde sindicalistas e estudantes a frades franciscanos - formou uma corrente humana ao redor do Congresso americano para pedir ao credores do Primeiro Mundo que sigam os ensinamentos da Bíblia. "Antes de morrer, Cristo perdoou aqueles que o crucificaram. Não chegou a hora perdoar as dívidas de países pobres, como a Etiópia, onde cem mil crianças morrem de diarréia a cada ano?", diziam eles.
Nos dias seguintes, serão realizados dezenas de eventos, que culminarão em duas grandes manifestações, coincidindo com os encontros dos ministros nas sedes do FMI e do Bird, para discutir os rumos da economia mundial. O objetivo dos manifestantes é repetir em Washington a mobilização, organizada durante a reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio (OMC) em Seattle, em novembro passado. Na ocasião, 600 pessoas foram presas e o comércio local teve um prejuízo de US$ 17 milhões.
As críticas ao FMI e ao Bird não serão feitas apenas pelos manifestantes. Hoje, o economista Joseph Stiglitz criticou os burocratas do Fundo "que se acham mais brilhantes, mais bem educados e menos politizados que os economistas dos países que visitam" e que tomam decisões, muitas vezes equivocadas, sem levar em conta opiniões de terceiros.
Stiglitz era economista-chefe do Bird até o final do ano passado.
Sua renúncia coincidiu com a reunião da OMC em Seattle. Na época, ele fazia as mesmas críticas que acaba de publicar, num artigo na revista New Republic.
Stiglitz responsabiliza o FMI e o Tesouro americano pela forma como lidaram com a crise financeira, que começou em 1997 no Sudeste Asiático, atingiu a Rússia e culminou com a desvalorização do real em 1999. "Se as pessoas em quem confiamos para administrar a economia mundial não começarem a dialogar e não levarem em consideração as críticas, as coisas continuarão a dar muito, muito errado", insistiu o economista, que considera importante as ações dos manifestantes para obrigar os burocratas a ouvirem a voz dos povos atingidos por suas políticas.





