Manifestantes fecham Ponte da Amizade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de abril de 1999
Lúcio Flávio Moura Especial para a Folha 
Cerca de cinco mil pessoas, principalmente funcionários públicos municipais de Ciudad del Este descontentes com a administração do prefeito Juan Carlos Barreto Miranda (Partido Colorado), voltaram a bloquear ontem, ao meio-dia, o tráfego de veículos no lado paraguaio da Ponte da Amizade.
De 23 a 25 de março a ponte (que liga Foz a Ciudad del Este) teve seu tráfego interrompido por 50 horas pelo governo paraguaio, sob alegação de impedir a fuga dos assassinos do vice-presidente Luís Maria Arga¤a.
Desta vez, o protesto provocou quatro quilômetros de congestionamento nos dois lados da fronteira. O trânsito na ponte ficou impedido até as 15 horas, quando os sindicalistas que organizavam a manifestação liberaram por meia hora a passagem dos veículos. Às 16 horas, o procedimento foi repetido pela primeira e última vez. Até o final da tarde de ontem, a ponte continuava bloqueada.
O prefeito é acusado pela oposição local de corrupção e envolvimento com o grupo político que seria responsável pelo assassinato do vice-presidente Luís Maria Arga¤a.
Aproximadamente 95% dos 800 funcionários municipais estão em greve há 12 dias, reivindicando reposição salarial de 47%. Há três anos os salários dos servidores não são reajustados. Mas nem mesmo os líderes escondem que a maior motivação para o movimento é político.
Nós só vamos liberar definitivamente o tráfego entre os dois países quando o prefeito renunciar, disse Diosnel Benitez, secretário executivo do Sindicato dos Trabalhadores da Prefeitura de Ciudad del Este.
Guido Acosta, presidente local da Frente Democrática (coligação oposicionista) também garante que haverá resistência dos grevistas numa possível operação de repressão da Polícia Nacional.
Ele nos roubou e financiou franco atiradores para agir nas manifestações em Assunção, acusou Hilsen Vera, auxiliar administrativa da prefeitura. Segundo a servidora, Barreto ameaçou a caravana de mil pessoas que foi protestar na capital contra o ex-presidente Raul Cubas Grau.
Em declarações a rádios paraguaias ontem, o prefeito afirmou que não vai tomar nenhuma atitude sob pressão. Eu não vou renunciar em hipótese nenhuma, garantiu.
A atual administração de Ciudad del Este está sendo contestada por um grupo de vereadores, que foi a Assunção reivindicar a intervenção federal no município. Uma comissão de auditores está sendo enviada à fronteira na segunda-feira pelo governo federal.
As irregularidades que serão investigadas pelos auditores estão relacionadas a um possível desvio de recursos do fundo de pensão municipal (a oposição fala em US$ 7 milhões) e a terceirização irregular da coleta municipal de lixo, que resultou na demissão de 400 funcionários.


