SÃO LUIS - Moradores de Montes Altos (694 quilômetros a sudoeste de São Luís) bloquearam anteontem à noite a rodovia estadual MA-280 em protesto contra a demarcação da reserva indígena krikati. Dois carros da Eletronorte foram depredados pelos manifestantes na entrada da cidade.
Os carros traziam funcionários que estavam trabalhando na recuperação do circuito de energia elétrica na região. Segundo a Eletronorte, os dez funcionários foram forçados a sair dos carros pelos manifestantes, que viraram um Gol e incendiaram uma Toyota da empresa. Ninguém foi ferido.
A Eletronorte retirou os funcionários do local e suspendeu temporariamente os serviços de reparo das linhas que haviam sido danificadas pelos índios krikatis, alegando falta de segurança.
A Polícia Militar de Imperatriz (MA) informou que estrada já estava liberada na manhã de ontem.
O conflito entre moradores da região e os índios krikatis se acirrou em janeiro, quando os índios quebraram uma ponte de madeira na estrada que liga Montes Altos a Sítio Novo e corta a área reivindicada por eles. Os índios queriam chamar atenção das autoridades para a demarcação de sua área, um total de 146 mil hectares, decretada desde 92, mas nunca executada.
No dia 10 de fevereiro, os krikatis derrubaram duas torres de alta tensão da Eletronorte dentro da aldeia São José. A empresa fez um esquema de emergência para evitar a falta de energia elétrica no Estado. No dia 19, uma comissão de líderes krikatis se reuniu com representantes do governo federal em Brasília e aceitou a proposta de que a demarcação seria feita em seis partes.
A região abriga fazendeiros e pequenos agricultores que invadiram a área indígena no início do século.
Em entrevista à emissora maranhense de TV ‘‘Mirante’’, o fazendeiro João Albuquerque, que participou do bloqueio da estrada anteontem, afirmou que ‘‘enquanto se falar em 146 mil hectares vai haver confronto direto’’.
Albuquerque não foi localizado pela ‘‘Agência Folha’’. Um levantamento do governo federal em 1992 constatou que dentro da área krikati existem 589 posses particulares, onde moram 1.191 famílias, com 6.930 pessoas.

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