Protesto reuniu milhares em frente à Asssembleia Legislativa
Protesto reuniu milhares em frente à Asssembleia Legislativa | Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo



Rio de Janeiro - Milhares de pessoas foram no final da tarde desta sexta-feira (16) à escadaria da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro em um novo protesto contra a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada na noite de quarta. Em menor número que o ato de quinta (15), os manifestantes cantavam "Marielle, presente, hoje e sempre" e "Anderson, presente".
O protesto teve início por volta de 18h15."Em 2016 foi minha primeira eleição, e a candidata que elegi esta morta. O sentimento que eu tenho é de impotência", afirmou Mayara Gomes, 20, estudante.
Entoando "Chega de chacina, eu digo não à polícia assassina" os manifestantes começaram a caminhar até a igreja Candelária.
Com um cartaz dizendo "Luto é verbo", a estudante Isabela Neves, 19, foi protestar pelo segundo dia seguido. "Marielle era uma mulher negra de periferia. No momento que ela conseguiu uma voz, foi executada", disse.

Portugueses fazem um minuto de silêncio

Lisboa - O Parlamento de Portugal aprovou por unanimidade, na manhã desta sexta (16), uma nota de pesar pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada na quarta (14) no Rio de Janeiro. O texto apresentado pelo Bloco de Esquerda, partido que apoia o governo do primeiro-ministro socialista António Costa, "exprime a mais veemente condenação pela violência e pelos crimes políticos e de ódio que aumentam de dia para dia no Brasil".
Os deputados portugueses fizeram ainda um minuto de silêncio em homenagem a ela e ao motorista Anderson Pedro Gomes, 39, que também morreu no atentado. O assassinato de Marielle vem tendo grande repercussão no país. Na noite de quinta (15), cerca de 500 pessoas protestaram no centro de Lisboa, nas imediações do Consulado do Brasil, contra a violência e os ataques aos direitos humanos no Brasil.
No Parlamento Europeu, uma coalizão de partidos de esquerda composta por 52 deputados enviou uma carta para a chefe da diplomacia do bloco pedindo a suspensão das negociações entre Mercosul e Europa até que o Brasil desse respostas sobre a proteção a defensores de direitos humanos.
ONGs estrangeiras também reforçaram a repercussão internacional, com comunicados e denúncias. Relatores da ONU também passaram a se mobilizar para pedir explicações formais ao governo.

REAÇÃO
Já a chancelaria enviou a todas suas embaixadas do mundo instruções para que os diplomatas do Itamaraty entrem em contato com autoridades locais e com formadores de opinião para "expor de maneira mais ampla possível as medidas tomadas pelo governo para esclarecer o assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes". (Giuliana Miranda/ Folhapress com Jamil Chade, da Agência Estado)

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