Curitiba - Manifestantes se reuniram no centro de Curitiba no fim da tarde desta sexta-feira (23) em um dos atos em defesa da Amazônia organizados em dezenas de cidades brasileiras e no exterior. Além de Curitiba, houve protestos em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. O ato em Londrina está marcado para a tarde deste sábado (24), no Calçadão.

A manifestação na capital paranaense começou na praça 19 de Dezembro, ponto de partida frequente de protestos na cidade, com destino à Boca Maldita. Dezenas de pessoas mostraram cartazes com apelos pela preservação da Amazônia, onde o aumento da incidência de queimadas vem gerando comoção internacional nos últimos dias. Parte dos manifestantes foi ao ato vestida de preto, em sinal de protesto. Alguns vestiam máscaras médicas. “Precisamos agir, nossa casa está em chamas”, alertou um cartaz.

Denúncias e críticas se concentraram no governo federal, que vem encorajando o avanço do agronegócio e da indústria madeireira na Amazônia. Mensagens foram endereçadas diretamente ao presidente Jair Bolsonaro — que sustentou, sem evidências, que incêndios criminosos poderiam estar sendo provocados por ONGs para prejudicar a imagem do governo. O coro “Fora, Bolsonaro” foi um dos mais repetidos. A manifestação também teve participação de representantes de povos indígenas.

Uma das lideranças do ato, Alana Dédalos, do Movimento Nación Pachamama, explicou que o protesto foi realizado por diversos movimentos e coletivos, em uma resposta “quase visceral” à recente escalada das queimadas. “Nossa ideia é causar impacto, fazendo pressão sobre o governo, mas também impactar a consciência de cada pessoa”, disse. “A gente precisa parar e pensar sobre o que está fazendo”, explicou — acrescentando que o evento, embora denominado “S.O.S Amazônia”, mirou diversas pautas relacionadas ao meio ambiente, como a mudança climática.

Um estudante de 17 anos contou que as principais razões para participar do protesto foram a empatia por povos tradicionais atingidos pelas queimadas e a perda de biodiversidade provocada pelo desmatamento. “Essas questões não afetam só a Amazônia e povos tradicionais, mas todo o Brasil”, argumentou.

A engenheira agrônoma Eliana Scucato, 59, reforçou que a floresta amazônica é fundamental para o Brasil e o mundo. “Acho que é importante a gente vir para a rua para as pessoas ao nosso redor enxergarem o movimento, a proposta, a preocupação. Se não sensibilizar, pelo menos chama a atenção e faz com que elas pensem, pelo menos por um instante, no que está acontecendo”, disse.

A telefonista Gabriely Cordeiro, 20, participou de um ato desta natureza pela primeira vez. “Sempre houve preocupação com o meio ambiente. Mas hoje isso incomoda mais pelo descaso do presidente”, disse. “Outros países estão considerando boicotar nossa economia. Não adianta colocar a culpa em ONGs ou chamar os outros de comunistas”, criticou Cordeiro, que carregava um cartaz com os dizeres “Não é de agora, mas não podemos esperar mais! Queremos uma solução!”.

O ato foi organizado por mais de 20 organizações, incluindo os movimentos CWB Resiste, Pare Preste Atenção, 342 Amazônia e Fridays for Future.

Também foram registrados atos nas duas maiores cidades do País, Rio e São Paulo. Na capital paulista, centenas de pessoas se reuniram em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo), na avenida Paulista. Com gritos de ordem contra Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, eles ocuparam a via no sentido Consolação. O grupo foi cercado por policiais militares.

O tema ambiental levou o empresário José Corona, 57, ao seu primeiro protesto contra o governo. Dono de fazendas, ele se diz revoltado e triste com a condução da política ambiental. "Não se ganha dinheiro com a destruição da floresta. Isso vai mudar a nossa vida no futuro, já está mudando", disse Corona. Ele se diz a favor da proteção à biodiversidade e apoia ONGs que trabalham com o tema. "É possível conjugar a conservação com a agricultura."

Já no Rio, um grupo de manifestantes ocupava cerca de um terço da Cinelândia, no centro, em ato para denunciar a destruição da Amazônia e do meio ambiente brasileiro. "As queimadas sempre existiram, os governos anteriores também falharam na preservação ambiental, mas a atual gestão é especialmente maléfica. Desde janeiro estamos denunciando o desmonte da estrutura de fiscalização e combate a incêndios, o desinteresse do ministro Ricardo Salles por qualquer questão ecológica", afirmou Ricardo Graça Aranha, líder do coletivo Amazônia na Rua, que organizou o ato na Cinelândia. Já em Brasília, o ato reuniu cerca de 500 pessoas na Esplanada dos Ministérios.

Também houve protestos fora do país. Atos foram registrados em Londres (Reino Unido), Paris (França), Madri (Espanha), Dublin (Irlanda), Barcelona (Espanha), Lisboa (Portugal), Berlim (Alemanha), Genebra (Suíça), Nápoles (Itália), Amsterdã (Holanda). Munidos com cartazes, os manifestantes se reuniram em frente aos consulados brasileiros de seus países e exigiram que o governo de Jair Bolsonaro proteja a Amazônia.

Em Londres, vídeos que circularam pelas redes sociais mostravam os manifestantes pedindo a renúncia do presidente com gritos de "Bolsonaro precisa sair". Em Mumbai, na Índia, um pequeno grupo de manifestantes também protestou na frente do consulado-geral do Brasil.(Com Agências)

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