SALONICA, Grécia, 24 (AE-AP) - Tudo começa com uma ligação telefônica. Antes, dezenas de manifestantes estavam reunidos no porto de Salonica para assediar outro comboio militar da Otan que dirigia-se à vizinha Macedônia.
Se a Grécia, membro da Otan, é um berço efervescente de mal-estar contra a campanha aérea na Iugoslávia, então a temperatura seja talvez mais alta em Salonica. O porto do norte do país está a cinco horas de carro da fronteira de Kosovo e é o principal local de parada de soldados e armas para a Macedônia.
Muitos gregos têm profunda simpatia pelos companheiros cristãos ortodoxos sérvios e temem que o conflito nos Bálcãs se espalhe para o sul e interfira no maior período de estabilidade e relativa prosperidade da Grécia no pós-guerra.
As manifestações anti-Otan em Salonica não mostram sinais de cessar, já que os organizadores mostram habilidade para mobilizar multidões com rapidez.
"Nós colhemos informações de todo o porto... Todos querem contribuir - os trabalhadores, os moradores", disse Agapios Sahinis, chefe do Comitê Antiguerra da cidade, que é responsável pela organização da maioria dos protestos. Sahinis disse contar com 200 ou 300 voluntários prontos para aderir aos protestos.
"Nós temos um sistema de cadeia telefônica", explicou Lefteris Constandinidis, um dentista e ex-deputado do governante Partido Socialista, que também faz parte do comitê antiguerra. "Continuaremos até tudo acabar."
Manifestantes bloquearam estradas e linhas de trem e pintaram suásticas e frases antiamericanas em veículos militares. Nas últimas semanas, pelo menos quatro comboios foram avisados para não chegar à fronteira com a Macedônia, onde cerca de 15.000 soldados da Otan estão alojados atualmente.

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