Manifestantes dizem não a Belo Monte em protesto no Rio
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sábado, 17 de dezembro de 2011
Agência Brasil 
Cerca de 50 de pessoas protestaram na tarde de hoje (17) na orla de Copacabana, zona sul do Rio, contra a construção da Usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Com o slogan "Belo Monte: com Meu Dinheiro Não!", manifestantes carregaram cartazes, acusando o governo de gastar dinheiro público no empreendimento, orçado em R$ 26 milhões. Eles alegam que a obra vai prejudicar o meio ambiente e a vida dos povos indígenas e das populações tradicionais da Amazônia.
A marcha foi organizada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre e ocorreu também em oito estados e no Distrito Federal. A representante do movimento no Rio, Maíra Irigaray, explicou que o objetivo do protesto é informar à população que a obra deve passar de R$ 30 bilhões e que 80% desse dinheiro será repassado pelo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com juros abaixo do cobrado pelo mercado e prazo de 30 anos para pagar, segundo ela.
"Esse protesto é um dos muitos que virão e é uma onda de conscientização crescente. Vamos conseguir com isso o fim da construção de Belo Monte, a abertura de um diálogo verdadeiro, uma renovação da política energética do país e o respeito aos povos tradicionais da floresta e à natureza."
Zélia Soares do Movimento Brasil pelas Florestas acredita que apenas a população pode impedir a construção de Belo Monte. "Tudo que começa pode ser impedido de novo, por isso temos que protestar. Além disso, faltam 14 ações contra a usina para serem julgadas na Justiça, que podem parar a obra a qualquer momento."
Ana Bittencourt, de 20 anos, ficou sabendo do movimento pelo Facebook rede social na internet. "Vim porque me importo, acho que essa ideia de que só por que está acontecendo fora do meu quintal não é problema meu é errada. [A obra] é lá no Xingu, muita gente não sabe onde fica, mas a população devia se importar com os direitos de quem está perdendo sua casa e sua terra."
A construção de Belo Monte é um dos maiores empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e, se concluída, será a terceira maior hidrelétrica do mundo, com potência instalada de 12 mil megawatts (MW), e geração média de 4 mil MW. Ambientalistas e organizações indígenas e ribeirinhas da região do Xingu criticam o projeto que deve alagar uma área de 516 quilômetros quadrados.
Ontem (16), o juiz federal Carlos Eduardo Castro Martins, da 9ª Vara Federal no Pará, determinou a retomada das obras de Belo Monte. A decisão revoga liminar do próprio magistrado, que havia suspendido, em setembro, as obras da usina no curso do Rio Xingu, por entender que ameaçavam o transporte da população local e poderiam causar danos ambientais irreversíveis.


