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Manifestantes contrários a Bolsonaro ocupam espaço no centro de Londrina

Neste 7 de Setembro, movimentos dizem que não há o que comemorar, e que foi preciso tomar as ruas para fazer frente ao movimento pró-Bolsonaro

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

Manifestantes contrários ao governo se concentraram em frente à Biblioteca Municipal de Londrina no final da tarde desta terça-feira (7), Dia da Independência, e circularam pelo centro gritando palavras de ordem contra o governo Bolsonaro. 


 

Manifestantes contrários a Bolsonaro ocupam espaço no centro de Londrina
Roberto Custódio
 


Enquanto isso, manifestantes pró-Bolsonaro que estavam na rotatória da Higienópolis com a JK haviam chegado na Praça da Bandeira, a poucos metros dali. Porém, havia um grande efetivo da Polícia Militar e a Guarda Municipal no local, e não houve registros de confrontos entre os manifestantes.


Antes mesmo da manifestação, porém, cinco jovens - quatro homens e uma mulher - foram encaminhados à delegacia pela Polícia Militar. A Polícia afirma que eles portavam drogas, pedaços de pau e spray de tinta. 


O advogado Rafael Colli, membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB Londrina, afirmou que o motivo da detenção foram pequenas quantidades de drogas, que os jovens iriam assinar um TCIP (Termo Circunstanciado de Infração Penal) e seriam liberados da delegacia em seguida.


Participaram da manifestação movimentos como a Frente Classista e Combativa de Londrina, o MAP (Movimento Autônomo Popular), a Frente de Ação Antifascista, a Alternativa Popular, movimentos feministas e outras organizações e militantes independentes.


A maioria dos participantes do ato era jovem. Eles vestiam preto, usavam máscara, portavam bandeiras dos movimentos sociais e seguravam cartazes. Parte dos manifestantes cobria o rosto e alguns portavam chapas de madeira, que diziam usar como forma de defesa. O movimento partiu da Biblioteca Pública e fez paradas na Concha Acústica e na Praça Rocha Pombo. Durante o trajeto, os participantes do ato se organizavam em filas e gritavam palavras de ordem. 


 

| Autor: Mie Francine Chiba
 


A pauta dos movimentos incluía vida, com comida, emprego, vacina, educação e vida digna. "Hoje a gente volta para as ruas para dizer que não acontece independência com tanta fome, com tanta morte, com tanto racismo e feminicídio. A independência não existe com o povo passando fome, morrendo por falta de vacina", diz Ariane Higashi, membro da Frente Classista e Combativa. "Estamos aqui para dizer que não vamos tolerar as ameaças de golpe deste governo fascista que só quer a nossa morte", ela conclui.


 

| Autor: Mie Francine Chiba - Grupo Folha
 

 

Meire Moreno, da Frente Feminista de Londrina, que estava na manifestação, afirma que o Dia da Independência nunca foi uma data de conquista para povos oprimidos. "É uma data que já há muito tempo é reivindicada pelas classes dos excluídos, como o 'Grito dos Excluídos', entre outros movimento sociais, numa tentativa de denunciar todas as desigualdades e opressões que sofremos no nosso cotidiano e denunciar a fraude, a farsa que é a Independência", diz Moreno.


"Independência para quem?", ela questiona, e continua: "principalmente nesse contexto em que vemos a democracia ameaçada. Passei por rodovias próximo de Londrina e eram faixas pedindo ditadura militar, fim do Congresso Nacional e do STF. É assustador quando percebemos que se utiliza recursos democráticos para reivindicar o fim da democracia. Ainda que a democracia nos moldes que conhecemos tem muitos limites, ainda precisamos dela para poder ter voz, poder lutar, inclusive pela vida, que é a maior pauta de quem está aqui. Comida no prato, vacina no braço para continuarmos vivos."


Willian Felipe da Silva, do Movimento Autônomo Popular, também ressaltou o caráter de oposição do ato, a fim de fazer frente ao movimento pró-Bolsonaro que se formou na cidade. "Hoje, a partir das carreatas do Bolsonaro, a gente percebeu a expressividade desse público que a gente achava que tinha saído de cena, mas voltou no seu pior contorno possível, a amedrontar qualquer expressão de democracia de base, direta, e a colocar em risco a vida de quem já está em risco diuturnamente. A importância de disputar esse dia hoje é ocupar espaço na rua e mostrar que a rua também é nossa. A gente hoje se manifesta contra tudo o que o governo representa e que tem colocado em risco a vida da população mais vulnerável."

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