Manifestantes cobram mais ciclovias em Londrina
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terça-feira, 06 de março de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Cerca de 400 ciclistas participaram ontem à noite da Bicicletada Nacional, movimento que cobra a implantação de políticas públicas de mobilidade. A manifestação foi realizada simultaneamente em 26 cidades de 16 Estados.
Em Londrina, o grupo se concentrou às margens do Lago Igapó II. A ciclovia ali tem pouco mais de três quilômetros de extensão e é a de maior movimento na cidade. Essa foi a forma deles cobrarem ampliação da faixa exclusiva para ciclistas. Londrina conta com apenas 11 quilômetros de ciclovias ao longo do Lago Igapó II, Aterro do Igapó e avenidas Leste-Oeste e dos Expedicionários.
O universitário André Fassoni aponta que não há política pública para melhorias do setor na cidade. ''Em Londrina, ciclovia é sinônimo de lazer e não de (espaço destinado para) meio de transporte. Esse outro fim é deixado de lado pelo poder público e isso coloca a gente em risco. Os motoristas não sabem quão frágil somos'', criticou.
Acidentes com ciclistas representaram apenas 1,6% do total registrado ano passado pela Companhia de Trânsito da Polícia Militar (98 de 6.029). A proporção aumenta para 6,5% se comparadas as mortes - das 77 registradas ano passado, cinco eram ciclistas. Neste ano, das oito mortes ocorridas no trânsito londrinense, duas vítimas eram ciclistas (os dois casos ocorreram na Avenida Dez de Dezembro).
''O ciclista faz parte do contexto do trânsito e tem sua importância, principalmente em Londrina, tendo em vista sua problemática da quantidade de veículos num trânsito caótico. Os motoristas devem manter distância dos ciclistas e redobrar atenção, já que em geral os ciclistas fazem movimentos bruscos e repentinos'', comentou o sargento Antonio Morais.
''Conheço uma pessoa que perdeu o filho pedalando. O rapaz foi fechado e morreu. Essa é a exemplificação da falta de respeito ao ciclista'', lamentou a administradora de empresas Marcia Teles. Ano passado, ela integrou um grupo de ciclistas londrinenses que percorreu mais de mil quilômetros de bicicleta por quatro países da Europa. ''Foi um trajeto 100% seguro. Só em Munique (Alemanha) percorremos mais de 200 quilômetros'', comentou.
O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) projeta a construção de pelo menos 47 quilômetros de ciclovias na cidade. Seriam contempladas grandes avenidas, como a Harry Prochet (1,6 km), Henrique Mansano (1,8 km), Saul Elkind (5,8 km), Dez de Dezembro (2,5 km), Adhemar de Barros (2,3 km), Santos Dumont (1,8 km), Castelo Branco (2,5 km) e Arthur Thomas (2,8 km).
No Programa de Desenvolvimento Urbano Sustentável, apresentado em audiência pública no último mês, também traça a revitalização de 11 bacias hidrográficas com construção de ciclovias ao longo de seus fundos de vale. O projeto esbarra na falta de recursos. A Prefeitura tenta obter US$ 42 milhões em empréstimos junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para realizar as obras.
Estudo do Ippul aponta que 6% da população londrinense usam bicicleta como meio de transporte e 24% se locomovem a pé. A pesquisa revela que esse índice poderia ser diferente se o poder público investisse em segurança no setor. ''Nas entrevistas, as pessoas dizem que não usam mais bicicleta porque não é um meio de transporte seguro. A partir do momento que houver infraestrutura, a maioria dos entrevistados diz que usaria esse tipo de transporte'', comentou a presidente do Ippul, Regina Nabhan. Há expectativa que o empréstimo com o BID seja assinado ainda este semestre.


