Brasília, 26 (AE) - Alguns manifestantes atiraram pedras
garrafas, cocos e até fogos de artifício na tropa que fez o cordão de isolamento, nas margens do espelho dágua em frente do Congresso. Foram os poucos momentos de tensão entre manifestantes e policiais na Marcha dos Cem Mil. Em sinal de protesto, dezenas de participantes nadaram no lago.
Alguns estudantes tiraram a roupa em frente do Congresso
por alguns segundos. A concentração de manifestantes no lago começou quando o desempregado Amsterdan Andrade Gonçalves, de 24 anos, ajudante de pedreiro que mora em Bom Jardim (MA), começou a nadar. "Estou fazendo isso em protesto pela falta de emprego", disse. A estudante Simone de Souza da Silva, de Nova Iguaçu (RJ), entrou na água só de blusa e calcinha, atraindo ainda mais a atenção de manifestantes, que começaram a atirar bandeiras no lago. "Faço isso em protesto pelos salários baixos e contra a destruição dos rios", disse Simone.
O número de manifestantes aumentou e o clima ficou tenso
às 12h15, quando parlamentares da oposição e os representates de movimenos sociais que entraram no Congresso foram acompanhados por dezenas de manifestantes, que foram barrados pela segurança. Mais de 20 manifestantes entraram no lago e começaram a jogar água nos policiais. Parlamentares do PT pediram que os manifestantes saíssem da água. "Se houver violência", dizia aos manifestantes o deputado Arlindo Chináglia (PT-SP), "a manifestação não será vitoriosa".
Às 12h30, quando o grupo de parlamentares e líderes de movimentos sociais saiu do Congresso, a manifestação ficou pacífica novamente. Às 14h30, um grupo punk chegou às margens do lago, queimou um boneco na frente dos policiais, na pista de saída da Câmara, e passou a jogar cocos, garrafas, latas, terra e pedras nos policiais. Um fotógrafo foi derrubado dentro do lago. Novamente, o policiamento foi reforçado, desta vez com o Batalhão de Cavalaria.
Os manifestantes arrancaram a tampa de um bueiro no gramado e atiraram dentro do lago. Algumas pessoas ensaiaram um futebol aquático, quando o professor Fernando Moura Brasil, fantasiado de rei, jogou uma bola dentro dágua. A bola caiu no cordão de isolamento, mas os policiais militares a devolveram ao professor, que a atirou novamente na água.
O baiano Alexandre Souza, que estuda Ciências Sociais em Campinas, no interior de São Paulo, nadou de cueca no lago do Congresso. "Este ato é para o Fernando Henrique Cardoso perceber que as pessoas não estão mais acreditando no papinho furado dele", disse. Souza afirmou ser "inaceitável" o governo financiar as empresas privadas que participaram dos processos de privatizações.
Alguns estudantes tiraram toda a roupa, mas vestiram segundos depois. Outros jogaram fogos de artifício rumo ao cordão de isolamento. Alguns policiais foram atingidos por terra
garrafas de plástico com água e coco. Mas nenhum ficou ferido. A PM de Brasília filmou todos os manifestantes mais afoitos e dois helicópteros sobrevoaram o Congresso para eventual mobilização de mais policiais.

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