Manifestantes acreditam em intolerância religiosa
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de agosto de 2013
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
Londrina - Integrantes do Movimento Negro de Londrina fizeram uma manifestação no Calçadão, na manhã de ontem, em repúdio à chacina que vitimou a Yalaorixá Yá Makumby Vilma Santos de Oliveira, 63 anos, e outras três mulheres, registrada na noite do sábado, dia 3, na zona oeste. Enquanto familiares disseram se tratar de uma fatalidade, vários militantes acreditam em indícios de intolerância religiosa e sexismo no crime cometido pelo maquiador Diego Ramos Quirino.
O grupo distribuiu um manifesto de duas páginas que traduzia a indignação da comunidade com a decisão da polícia de ignorar a intolerância religiosa no inquérito. Segundo o presidente da Associação dos Ogans de Londrina, Carlos Augusto de Souza, 35 anos, o fato de a família, vizinha de muro de Quirino, pertencer ao candomblé, foi um dos fatores que estimulou o ódio. "Apenas as imagens de santos estavam quebradas na casa dela".
Uma das mais abaladas com a tragédia foi a mãe de santo Tusselê Genan, 71 anos. "Era muito amiga delas. Um tragédia assim é uma ferida que não cicatriza nunca, ainda mais se tratando do lindo trabalho que faziam", lamentou. Com a morte da mãe Vilma, Allial Oliveira dos Santos, 86 anos, Tusselê passa a ser a mãe de santo mais idosa da cidade. A outra vítima da família foi a neta de Vilma, Olívia dos Santos, 10 anos.
José Mendes de Sousa, 45 anos, lembrou que na casa dela, ocorreu a primeira reunião que deu origem às cotas raciais na Universidade Estadual de Londrina (UEL). "Vilma era uma pessoa tão iluminada que tratava a todos igualmente. Sabia dialogar bem tanto com o ministro quanto com o mais humilde". O pai Sílvio de Ogun, 52 anos, também ressaltou as qualidades da mãe de santo e pediu uma atenção maior para as liberdade de credo. "Este debate tem que ser exposto. Uma pessoa não pode ser descriminada por ser adepta de uma religião de matriz africana", advertiu.
O filho mais novo de Vilma, Victor Jubiabá dos Santos, 25 anos, acompanhou a caminhada pelo centro, que os ativistas chamaram de cortejo. Abalado, o rapaz disse apenas que espera justiça, mas sem nenhum sentimento de vingança. "Não guardo rancor. Aprendi com a minha mãe, que abençoava até mesmo aqueles que não gostavam dela", disse. "Alguns apontam a intolerância religiosa, mas eu prefiro acreditar em uma fatalidade, ponderou.
A Polícia Civil concluiu o inquérito na sexta-feira. A perícia reconheceu "meio cruel" no assassinato. Quirino continua preso em uma cela isolada na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 1)


